Vale da Rosa vai receber investimento próximo dos mil milhões de euros

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Amanhã a Câmara Municipal recebe o investidor Sam Pitroda, que vem apresentar o projecto Cidade do Conhecimento. Uma nova Setúbal, planeada para o Vale da Rosa.

 

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O projecto Cidade do Conhecimento, avaliado como um investimento de 700 a 800 milhões e euros, acaba de ser proposto à Câmara Municipal de Setúbal pelo investidor e filantropo mundialmente reconhecido Sam Pitroda.

A nova cidade ficará localizada no Vale da Rosa, se todas as obrigações impostas pela autarquia no caderno de encargos forem aceites, e terá a chancela do arquitecto Norman Foster, autor de projectos como o Estádio de Wembley, o edifício da Câmara Municipal de Londres, o Aeroporto Internacional de Hong Kong ou o projecto do novo estádio do Real Madrid.

Segundo afirma o arquitecto Fernando Travassos, que está a trabalhar com o executivo da Câmara Municipal de Setúbal e a equipa do investidor indiano, “a dupla Pitroda e Foster irá colocar Setúbal no mapa internacional, através de um projecto para 180 hectares que inclui polos de investigação científica, habitação, hotelaria e espaços de lazer, com vista a uma sustentabilidade total”.

Fernando Travassos assume que a Cidade do Conhecimento pode levar tempo a concretizar-se, mas será um projecto totalmente sustentável, com a chancela do arquitecto mundialmente reconhecido, Norman Foster. ALEX GASPAR

Sustentabilidade será de facto a palavra chave no plano estratégico deste projecto que, por essa via, se destaca face à “Nova Setúbal”, que deveria ocupar o mesmo lugar no Vale da Rosa, e que iria prever apenas habitação e um novo estádio para o Vitória Futebol Clube. “Esse projecto deixaria aquela zona como um dormitório, distante de acessos e sem mais-valias para a sua rentabilização”, explica o arquitecto.

“Com a Cidade do Conhecimento vamos ter o oposto. Um conjunto de serviços que se complementam entre si e integram outras valências da região”.

É o caso do Instituto Politécnico de Setúbal que ganha a possibilidade de colocar polos de investigação académica na nova Cidade do Conhecimento. “Assim como a Universidade Nova de Lisboa, que devido ao polo de investigação científica no Monte da Caparica, será uma das entidades parceiras chamadas a integrar esta cidade, a par de outras instituições académicas de renome internacional”, afirma Fernando Travassos.

 

Dores Meira espera projecto com “entusiasmo ponderado”

 

Actualmente classificado como prédio rústico, o terreno no Vale da Rosa, propriedade do fundo imobiliário da Millenium Gestão de Activos, só poderá ser o lugar da Cidade do Conhecimento “se a sustentabilidade do projecto ficar comprovada”, defende a presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Maria das Dores Meira.

“Entusiasmo, sim. Mas contido. Este projecto pode colocar Setúbal no mapa internacional, mas também pode não acontecer, se o plano estratégico não respeitar exigências minimas”. Maria das Dores Meira vê na Cidade do Conhecimento a resolução para uma área onde, no passado, a Nova Setúbal não vingou. ALEX GASPAR

 

A autarca explica que, “esta não é a primeira vez que Setúbal é procurada por investidores internacionais com ideias fantásticas, que depois não são exequíveis no terreno, como o projecto da marina, apresentado pelo grupo do macaense David Chow, que veio a ser adaptado e repartido por vários investidores”.

Esse é um dos motivos pelos quais Dores Meira leva o entusiasmo sobre este projecto de forma “ponderada” e aguarda plano final do investidor, que deverá ter em conta “uma lista extensa de obrigações e um plano estratégico que não será fácil cumprir, para garantir a total sustentabilidade do projecto”.

Apesar do entusiasmo ponderado sobre a futura Cidade do Conhecimento, a autarca reconhece que o projecto resolverá “a amalgama de ideias que estava a gravitar em torno daquela área e que agora pode criar uma unidade, com aquilo que já está a ser desenvolvido, como o projecto do Wake Park, cuja construção deve ser iniciada ainda este ano”.

Quanto à Cidade do Conhecimento ainda não há previsão de quando começará a ser construída, tendo em conta a fase inicial em que o processo se encontra. Uma coisa fica certa, a vontade férrea de Sam Pitroda investir em Setúbal. “Porque antes mesmo de contactar a autarquia, Pitroda já tinha no terreno uma equipa de consultores a trabalhar na aquisição e nos possíveis condicionantes do ponto de vista ambiental e do ordenamento do território”.


 

De homem da ciência a assessor primeiro-ministro indiano

Sam Pitroda. Direitos Reservados

Satyan Pitroda, conhecido mundialmente com Sam Pitroda, nasceu em Titlagarh, Odisha, Índia, numa família profundamente influenciada pela filosofia de Mahatma Gandhi.
Concluiu os estudos em Vallabh Vidyanagar, em Gujarat, e fez o mestrado em Física e Electrônica pela Universidade Maharaja Sayajirao, em Vadodara. Em 1964, Pitroda foi para os EUA, onde realizou outro mestrado, desta vez em Engenharia Eléctrica, pelo Instituto de Tecnologia de Illinois.

Actualmente, detém cerca de 100 patentes de tecnologia em todo o mundo sendo reconhecido mundialmente como filantropo da ciência.
Pitroda também já desempenhou funções como assessor do primeiro ministro da Índia e presidente da Comissão Nacional do Conhecimento.

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