Figura do Ano do distrito: Bruno Lage, de ‘solução interina’ a herói improvável

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Bruno Lage

O SETUBALENSE faz esta quarta-feira, 19 de Fevereiro, o balanço da região em 2019 e apresenta as principais figuras e os factos mais importantes do ano que passou

 

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Bruno Miguel Silva do Nascimento – mais conhecido pelo apelido paterno, Lage – teve em 2019 uma afirmação tão meteórica quanto inesperada, ao passar de “solução interina” a herói improvável em apenas cinco meses, quando, a 18 de Maio, seis dias depois de ter completado 43 anos, conquistou o 37.º ceptro de Campeão Nacional para o Benfica, enquanto treinador principal.

Um título que levou o nome de Lage, da cidade de Setúbal e, consequentemente, da região a andar pelas bocas do mundo, já que ninguém – excepção feita provavelmente ao próprio – acreditava ser possível de alcançar, quer pela diferença pontual que separava as águias do rival que mora no Dragão (sete pontos) quer pelo calendário de grau de dificuldade máximo que os encarnados teriam de cumprir – deslocações a Alvalade, Porto, Guimarães e Braga…

Apostou num sistema com dois avançados (4x4x2), mas viu-se despojado de duas soluções atacantes – Castillo e Ferreyra saíram no mercado de Janeiro – ficando com apenas duas opções até aí confirmadas para a frente de ataque (Seferovic e Jonas, com o brasileiro longe das condições físicas ideais), sinal, quiçá, de que na estrutura benfiquista a época era dada como irremediavelmente perdida em termos domésticos.

Olhou para dentro e resolveu. Agarrou num tal de João Félix – que antes na equipa principal pouco ou nada havia mostrado – e colocou-o na devida posição, a fazer dupla com o suíço, ganhando a aposta com a afirmação do jovem talento como segundo avançado, de tal forma que no final da época a transferência deste para o Atlético de Madrid constituiu recorde, ao cifrar-se em 126 milhões de euros. Mais: recuperou Samaris e Gabriel, redefiniu o posicionamento de Pizzi com a manutenção de Rafa nas alas e lançou Ferro e Florentino Luís, potenciando assim mais uma dupla que promete vir a encher os cofres das águias.

Resistiu a tudo e quebrou barreiras: assinou a melhor 2.ª volta de sempre na história da Liga – 16 triunfos e 1 empate –, foi campeão com 103 golos marcados (a maior fatia foi obtida sob o seu comando) igualando a melhor marca de sempre das águias, infligiu a maior goleada (10-0 ao Nacional) registada nos últimos 50 anos e viria a ser o treinador mais rápido a conquistar o título nacional e a Supertaça (com a maior goleada a um rival, Sporting, no historial da competição). Em 2019, viria ainda a tornar-se no primeiro português a vencer a International Champions Cup, conseguindo ainda chegar ao final do ano sem uma única derrota. Foi o primeiro a ser eleito treinador do ano pela FPF na época de estreia na I Liga.

Mas os méritos de Bruno Lage não se ficaram por aqui. O discurso que trouxe para o futebol – cortou com as conferências cinzentas, explicando alterações, dinâmicas, posicionamentos –, aportando-lhe ainda “fair play” e acrescentando-lhe também consciência cívica – as palavras utilizadas na festa do título no Marquês romperam com os habituais estereótipos do “futebolês” –, foi uma lufada de ar fresco e um exemplo que deve orgulhar o ADN sadino.

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