Alentejo deixa de despejar esgotos no Sado no próximo ano

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Comporta vai ter ETAR em Março de 2021. Autarca Vitor Proença diz que “investimento urgentíssimo que já deveria estar concluído”.

A construção da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) da Comporta, no concelho de Alcácer do Sal (Setúbal), num investimento de 1,9 milhões de euros, que foi lançada ontem e deverá estar concluída em Março de 2021, vai acabar com o despejo de esgotos no Sado, do lado alentejano.

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De acordo com a empresa Águas Públicas do Alentejo (AgdA), que procedeu ontem à assinatura do contrato da empreitada de concepção e construção da futura ETAR da Comporta, o investimento vai permitir tratar os efluentes que são descarregados “sem qualquer tratamento” no estuário do Sado, no Litoral Alentejano.

“É um projecto com 10 anos e com um forte impacto na comunidade, nas actividades económicas, nomeadamente no projecto da dimensão da Herdade da Comporta e outros conexos, e no ecossistema que merecia uma intervenção à altura”, disse o presidente do conselho de administração da AgdA, Francisco Narciso.

A ETAR, cuja empreitada de construção, financiada por fundos comunitários, arranca em Março, vai permitir tratar a totalidade dos efluentes urbanos dos cerca de 550 residentes na localidade da Comporta, que, durante a época alta, chega a atingir os 2.500 habitantes.

“Tínhamos esta população a descarregar os efluentes não tratados e não controlados directamente para o estuário, através de uma rede de colectores. Naturalmente que se trata de carga orgânica que o estuário ia tendo capacidade para digerir, mas de facto é uma agressão grande”, reconheceu o vice-presidente da AgdA, João Silva Costa, à margem da cerimónia.

A obra, com um prazo de execução de 375 dias, deverá estar concluída em Março de 2021, altura em que se prevê que a ETAR, “ainda em fase de testes e ajustes”, possa “tratar os efluentes e resolver um problema que era há muito desejado”, acrescentou.

A futura estação ficará equipada com “um sistema de tratamento tecnologicamente avançado”, que inclui tratamento primário, biológico e desinfecção adicional para a “produção de água para a reutilização e tratamento de lamas por desidratação”, segundo a AgdA, empresa do grupo Águas de Portugal.

“Estamos numa zona sensível, daí a nossa preocupação de não despejar nada para o estuário. Numa zona de aquífero, vamos tratar o efluente a um nível tal que permite que a água seja infiltrada no solo. Por um lado, não vamos despejar no estuário do Sado e, por outro, vamos recarregar o aquífero”, avançou o vice-presidente da AgdA.

Para fazer face ao estimado aumento da população, devido aos investimentos turísticos previstos para a zona, o projecto prevê, no futuro, a ampliação da capacidade para um máximo de 10 mil habitantes e a “utilização da água, depois de tratada, para rega dos espaços verdes”.

Para o presidente da Câmara Municipal de Alcácer do Sal, Vítor Proença, trata-se de “uma etapa muito importante” que permite avançar com um “investimento urgentíssimo que já deveria estar concluído”.

“Este investimento estava sinalizado há muitos anos, porque se trata de uma obra que faz muita falta, que só traz ganhos ao município de Alcácer do Sal e à freguesia da Comporta, em nome do ambiente”, frisou o autarca.

Em curso, desde Novembro de 2019, está a construção do Sistema Interceptor e Tratamento de Águas Residuais da Comporta, um investimento de 830 mil euros, com um prazo de execução de 270 dias, que irá conduzir os efluentes gerados até à nova ETAR, envolvendo uma estação elevatória e 1,7 quilómetros de colectores.

A construção das duas infraestruturas representa um investimento global de 2,9 milhões de euros.

Lusa

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