Palmela no arranque da descoberta do antigo mundo islâmico

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O concelho das grandes vinhas é também conhecido como um dos mais importantes sítios com vestígios cerâmica islâmica Garb al-Andalus

 

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Mais de uma centena de especialistas nas áreas da Arqueologia, história e arqueociências estiveram em Palmela nas Jornadas Internacionais Terra, Pedras e Cacos do Garb al-Andalus, que decorreram no passado sábado. Com esta iniciativa ficou assinalado o arranque de uma nova fase do trabalho de investigação sobre o período islâmico em Portugal.

Sendo o concelho de Palmela conhecido como um dos mais importantes sítios com vestígios cerâmica islâmica Garb al-Andalus, foi considero pelo arqueólogos como o cenário ideal para conhecer “o muito que se tem feito a nível nacional no campo da arqueologia do período medieval islâmico e perceber o contributo dessas novas descobertas e investigações para a construção do conhecimento histórico”, refere a organização.

Na sessão de abertura destas jornadas da responsabilidade da Câmara de Palmela, Campo Arqueológico de Mértola, com coordenação científica a cargo do Grupo CIGA – Cerâmica Islâmica do Garb al-Andalus, que decorreram no Cineteatro S. João, o presidente da Câmara Municipal, Álvaro Balseiro Amaro, destacou esta organização em parceria com o Campo Arqueológico de Mértola, como algo que “muito apraz e orgulha” o Município.

O presidente lembrou o trabalho que a autarquia tem vindo a desenvolver e incentivar no âmbito das Ordens Militares, como os encontros internacionais, que celebraram 30 anos de existência em 2019. “Tem sido uma linha de trabalho muito profícua, que fez de Palmela um centro de estudo e de produção científica e bibliográfica de referência internacional, que muito tem contribuído para enriquecer o conhecimento global que temos sobre a época medieval e as Ordens Militares”, realçou.

Discutir e confrontar ideias

A presença de vestígios do período medieval islâmico em Palmela foi reforçada com os recentes trabalhos de escavação na encosta sul do castelo, no âmbito da “Intervenção de natureza estrutural para evitar derrocadas nas encostas do Castelo”, cujas descobertas foram também reveladas nestas Jornadas. “Estamos, sem dúvida, perante um programa interessantíssimo, com um conjunto de sessões temáticas muito ricas”, elogiou Álvaro Balseiro Amaro.

A directora do Campo Arqueológico de Mértola e membro do Grupo CIGA, Susana Gómez Martínez, reforçou que “o encontro das duas instituições para realizar estas jornadas foi um sucesso”, isto porque o programa permitiu as participantes a “oportunidade de partilhar, discutir e confrontar ideias que não são consensuais, como forma de crescermos todos no nosso conhecimento”, referiu.

A abertura contou ainda com uma evocação de Christophe Picard, 20 anos depois da publicação da sua obra “Portugal Musulman”, e com uma apresentação do Grupo CIGA, no qual o município também está representado.

Formado em 2007, o Grupo já realizou 26 apresentações em reuniões científicas, conta com 24 publicações editadas e mais seis em vias de publicação e tem como objectivo criar uma base de dados para a Cerâmica Islâmica do Garb al-Andalus.

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