Família de mulher acusada de agredir professora queixa-se de racismo

1218
visualizações
Fotografia de Carlos Dinis

Rogério Barão, um dos representantes da comunidade cigana em Setúbal, nega que a esposa, Soraia Barão, tenha agredido a professora do filho na Escola Básica e Jardim-de-Infância da Bela Vista. Escola já confirmou queixa de agressão formalizada no Ministério Público

 

- Pub -

O Comando Distrital da PSP de Setúbal confirmou a O SETUBALENSE o registo da agressão e a passagem da professora pelo Hospital de São Bernardo. Contudo, agora, Rogério Barão, pai do aluno, nega os contornos desta ocorrência e afirma que a sua esposa, Soraia Barão, “nunca cometeria semelhante acto de bofetadas e pontapés como alguns meios de comunicação social avançaram”.

Segundo o encarregado de educação “uma brincadeira entre primos escalou para uma pura mentira. Porque as pessoas negam, mas há muito racismo envergonhado em Setúbal e esse é o nome da situação que estamos a viver”.

Durante o intervalo João Barão e o primo, Fábio Lucas, estavam a brincar, mas a professora interpretou como se de uma briga se tratasse. Segundo a criança contou aos pais “a professora separou-os sem perguntar o que se passava e começou a segurá-lo com força pelos braços e a sacudi-lo. O menino disse que a professora o estava a magoar. Ao que a mesma terá respondido, ‘Paro quando eu entender’. Mais tarde, no regresso a casa, João queixou-se com dores”.

“Não houve agressão. A minha esposa estava nervosa e apenas gesticulou”

Foi no seguimento das queixas do filho que Soraia Barão se dirigiu à EBJI da Bela Vista para conhecer os pormenores da situação.

“Na escola a minha esposa questionou a professora sobre o que tinha acontecido e porque tinha magoado o João. A minha esposa estava nervosa e nessas situações tem por hábito gesticular. Quando o fez a professora aproximou-se dela e questionou ‘Mas afinal o que a senhora quer? Agredir-me?’. Então a minha esposa pediu à professora para se afastar, mas ela continuou a aproximar-se”, explica Rogério Barão.

Nesse momento Soraia Barão terá encostado as mãos ao peito da professora para impedir uma aproximação maior. “Mas nada agressivo, apenas com um gesto para que parasse. Nesse momento, uma auxiliar que estava presente interveio. Ao gesticular a minha esposa também passou a unha pelo rosto da senhora, mas não teve intenção alguma de a ferir. Aliás apresentou de imediato as suas desculpas”.

Agora, Rogério Barão acusa a professora de estar “a mentir” e a “aumentar a situação que, em realidade, foi bem menor do que aquilo que a PSP registou”.
Sendo um dos representantes da comunidade cigana em Setúbal e pastor evangélico, Rogério Barão afirma sem receios, “estão a denegrir a imagem da minha esposa, da minha família e da comunidade”, por conseguinte.

“Temos o respeito de todos, assim como respeitamos todos. Mesmo assim as pessoas estão sempre com um pé atrás em relação a nós. Somos julgados como culpados logo à partida e só porque somos ciganos. Isto é racismo e difamação, até porque quando acontece algum caso de violência na nossa comunidade somos os primeiros a condenar essas acções e a defender que essa não é, em momento algum, uma postura digna”, refere.

O pai de João confirma ainda que também apresentou queixa por agressão e após o filho ser examinado pelo Instituto de Medicina Legal, “confirma-se que tem os braços e ombros magoados, embora sem lesões”. Para o futuro fica “a possibilidade de contacto com a SOS Racismo e, talvez, uma outra queixa, por difamação”.

Esta não é primeira vez que Rogério Barão fala sobre racismo em Setúbal. Em 2014, no seguimento de outra situação que envolveu agentes da PSP e a sua família, alegadamente devido ao estacionamento de um automóvel, o pastor evangélico denunciou a conduta dos agentes à SOS Racismo.

Agrupamento de Escolas “não presta declarações”

Pedro Florêncio, director do Agrupamento de Escolas Ordem de Santiago, confirmou a O SETUBALENSE que já foi formalizada, no Ministério Público, uma queixa de agressão à professora. Mas, por estar a decorrer uma investigação, “o agrupamento não vai prestar outras declarações à comunicação social”.

Enquanto colega, Pedro Florêncio afirma que, “neste momento, perante toda a situação, a professora encontra-se muito fragilizada emocionalmente”.

PSP confirmou ocorrência a O SETUBALENSE

Pelas 16h00 do passado dia 14 a PSP de Setúbal foi chamada à Escola Básica e Jardim de Infância da Bela Vista devido a uma agressão que, alegadamente, teria sido cometida pela mãe de um aluno a uma professora.

Em declarações a O SETUBALENSE, o Comando Distrital confirmou que, quando a equipa da PSP chegou à escola, a alegada agressora já não se encontrava nas instalações, tendo a situação sido identificada e elaborado expediente para o Ministério Público.

Posteriormente, a professora agredida dirigiu-se ao Hospital de São Bernardo, em Setúbal, para observação médica e registo do auto de agressão.
De acordo com a PSP esta é a primeira ocorrência do ano com estes contornos.

 

Comentários

- Pub -