Utentes da Fertagus admitem manifestações contra degradação do serviço

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Nova comissão de utentes quer “demonstrar publicamente que a Comissão existe e que há uma lacuna em relação ao tratamento dado aos passageiros da Fertagus, que têm um grande impacto social e económico nas duas margens”

A nova Comissão de Utentes da Fertagus admitiu esta quinta-feira a realização de manifestações junto à sede da empresa e nas estações ferroviárias caso não sejam alteradas as condições de transporte, defendendo o alargamento de horários.

Em declarações à Lusa, Aristides Teixeira, um dos promotores da nova Comissão de Utentes da Fertagus, explicou que a apresentação hoje do movimento pretende “dar rostos à meia centena de pessoas” que está a lutar contra a degradação do transporte ferroviário.

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“Queremos demonstrar publicamente que a Comissão existe e que há uma lacuna em relação ao tratamento dado aos passageiros da Fertagus, que têm um grande impacto social e económico nas duas margens”, explicou.

De acordo com Aristides Teixeira, a Comissão, “além de apresentar críticas, apresenta soluções e propostas de luta”, e exige que “não se retirem os lugares, que são o garante de segurança e salvaguarda dos passageiros”.

Entre as medidas que defende, a Comissão de Utentes propõe ainda que os horários sejam refeitos ou alargados, “de modo a aumentar a frequência dos transportes” e de forma a que as pessoas não sejam transportadas em “condições indignas”.

Os cerca de 18 comboios da Fertagus, que assegura a ligação ferroviária entre Setúbal e Lisboa, vão circular a partir deste mês com menos cerca de 80 lugares sentados cada, por forma a criar mais espaço em pé, segundo disse à Lusa a administradora da empresa, Cristina Dourado, em 26 de dezembro.

De acordo com Aristides Teixeira, uma viagem média entre Setúbal e o Areeiro, em Lisboa, dura 58 minutos, o que na realidade “não acontece” porque “vai além de uma hora”.

“Tudo isto devido ao comportamento das pessoas. Ou demoram muito tempo para sair porque vai cheio, ou acotovelam-se nas plataformas para entrar pois não há espaço e os comboios não passam com a frequência que deviam”, explicou.

A concessão ferroviária na Ponte 25 de Abril foi atribuída à Fertagus na sequência de um concurso público internacional. Os comboios da Fertagus fazem a ligação entre as estações de Roma-Areeiro (em Lisboa) e a cidade de Setúbal, realizando uma média de 149 viagens por dia, o que permite retirar diariamente da ponte cerca de 30 mil carros.

O ano passado, a Fertagus transportou diariamente mais de 98.000 passageiros, o que traduz um aumento de 40% face ao ano anterior.

O Conselho de Ministros de 12 de dezembro do ano passado aprovou um diploma que prorroga até setembro de 2024 o prazo do contrato de concessão da travessia ferroviária do Tejo à Fertagus, entretanto já publicado em Diário da República.

O Governo justificou a prorrogação do contrato com a necessidade de assegurar a reposição do equilíbrio económico e financeiro da concessão, uma vez que foram impostas novas obrigações à empresa, que não estavam previstas no contrato inicial, no âmbito da implementação do novo sistema tarifário da área metropolitana de Lisboa.

Na cerimónia de assinatura do contrato de prorrogação da concessão à Fertagus, a presidente executiva da empresa, Cristina Dourado, afirmou que a prorrogação da concessão iria “permitir a manutenção de um serviço público ferroviário de transporte de passageiros entre Lisboa e Setúbal de qualidade”.

Lusa

 

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