Socialistas acusam Chega de oportunismo

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(Texto que substitui o publicado na página 3 na edição de 13 de Dezembro de O SETUBALENSE- DIÁRIO DA REGIÃO)

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Para o PCP o desempenho dos trabalhadores da fábrica de Palmela deve ser reconhecido pelo Governo. O PS concordou com a saudação do Grupo Parlamentar comunista, mas atacou o Chega quando André Ventura falou do mesmo assunto para criticar o Governo

 

O Grupo Parlamentar do PCP entregou, na quarta-feira, na Assembleia da República um voto de saudação aos trabalhadores da Autoeuropa pelo elevado nível de produtividade alcançado, e teve o apoio dos deputados socialistas. Mas franziram a testa quando o deputado do Chega, André Ventura, apresentou um voto por a fábrica de Palmela ter atingido, na segunda semana de Novembro, um novo recorde de produção anual de carros.

Para os socialistas, este voto apresentado por André Ventura veio na linha de “oportunismo” e, desta forma, “reduzir” estes trabalhadores “a meras armas de jogo político parlamentar”. Consideram assim que quando um partido “usa o bom desempenho de uma empresa e em particular o empenho dos seus trabalhadores para, no fundo, criticar um Governo, nos termos em que foi protagonizado pela extrema direita, merece o nosso repúdio”.

A isto acrescentam que os eleitos do PS “respeitam todos os trabalhadores e todas as empresas” e, “obviamente, respeitamos o trabalho desenvolvido pela Autoeuropa, e temos o maior respeito pelos seus trabalhadores e dirigentes”, por isso recusam o voto apresentado pelo Chega. Aliás, este foi o 4.º voto propostos por André Ventura, num total de 17, todos na mesma sessão da Assembleia da República.

Dizem ainda os deputados do PS eleitos pelo Círculo de Setúbal que “mantiveram, desde sempre, um diálogo e reconhecimento para com os agentes económicos que colocam o distrito de Setúbal na linha da frente de um Portugal cuja Economia é cada vez mais internacionalizada e vocacionada para a exportação”.

Para realçar o que afirmam, lembram que “recentemente a Península de Setúbal, por [decisão do Governo] pôde usufruir de um pacote de 15 milhões de euros, Inovação Produtiva do POR Lisboa, destinados a investimentos produtivos de criação, expansão ou modernização de empresas, concretamente PME”.

Entretanto, documento do PCP entregue na Assembleia da República, lê-se que se “impõe que os trabalhadores sejam valorizados, pois são eles os responsáveis por estes resultados”. No mesmo texto os comunistas referem que “a valorização em termos retributivos e a passagem de mais trabalhadores com contrato precário para o quadro da empresa, contribuindo para a melhoria das condições de trabalho e de vida dos trabalhadores, é a melhor forma de fazer reflectir e progredir os resultados alcançados”.

Considera ainda o Grupo Parlamentar do PCP que a unidade e a luta dos trabalhadores da Autoeuropa “permitiram vitórias importantes”, casos como “aumentos salariais, melhorias nas condições de trabalho, a passagem a efectivos de 850 trabalhadores – embora continue a existir um número significativo de trabalhadores com vínculos precários, quer na Autoeuropa, quer nas empresas fornecedoras”.

O documento defende ainda que “o tipo de trabalho que se pratica na Autoeuropa, como no sector da construção e montagem automóvel em geral, é desgastante, o que tem levado ao surgimento significativo de doenças profissionais, para as quais se impõem medidas de prevenção”.

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