“Aeroporto, Terminal de Sines e Resort na Comporta são soluções para emprego de qualidade”

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Manuel Fernandes assumiu a presidência distrital da UGT a 15 de Novembro. ©ALEX GASPAR

Novo presidente distrital da UGT é favorável a grandes projectos da região.

 

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Na tomada de posse para a presidência distrital da UGT – União Geral de Trabalhadores no biénio 2019-2021, Manuel Fernandes assume os desafios de um sindicalismo que, “não está bem visto na sociedade e vive os mesmos problemas de outras instituições, com a falta de credibilidade”.

Para o dirigente sindical do Sindetelco – Sindicato Democrático dos Trabalhadores das Comunicações e dos Media e trabalhador da The Navigator Company, “esta situação não é apenas culpa de posições políticas, mas também dos sindicalistas que, muitas vezes, não sabem acompanhar as necessidades dos novos trabalhadores. Hoje, os quadros especializados, enfrentam desafios diferentes daqueles que nos estabeleceram no século XX”.

Quanto ao futuro, na região Manuel Fernandes defende não só uma melhor comunicação entre sindicatos e profissionais, mas também a aposta em projectos que representam sustentabilidade económica, através de mais emprego de qualidade. Um desafio que pode encontrar respostas no aeroporto do Montijo.

Em entrevista a O SETUBALENSE, numa noite em que delegados sindicais deram as boas-vindas ao novo presidente, em Setúbal, no restaurante “O Quintal”, Manuel Fernandes falou sobre os três eixos que elege para renovar a UGT.

 

Na despedida de Rui Godinho, presidente distrital de 2017 a 2019, Manuel Fernandes afirmou novo mandato como continuidade do trabalho realizado ©ALEX GASPAR

 

A região apresenta novos fluxos no mercado de trabalho devido à especialização no turismo e a futuros quadros do novo aeroporto. Qual a estratégia da UGT para acompanhar este novo mercado?

A sociedade está a enfrentar grandes mudanças, que nós vamos continuar a acompanhar de modo a responder às necessidades e questões dos novos trabalhadores.

No desenvolvimento da região há três pilares que considero fundamentais, para travar a precariedade e reter talento.

O aeroporto. Este projecto terá um impacto fundamental na criação de emprego de qualidade, com 10 mil novos postos de trabalho. Sendo este um dos principais desafios da UGT, no sentido de por termo às situações de precariedade laboral, que cresceram no distrito.

Consideramos que a precariedade não é uma questão da crise, é uma situação transversal, que vai além do distrito de Setúbal. Está relacionada com a necessidade de investimento, para que seja possível gerar atractividade e emprego de qualidade. E, deste modo reter talentos.

Para além do aeroporto, o alargamento do terminal portuário de Sines representará um reforço das nossas ligações ao mercado internacional.

E o investimento na Comporta, anunciado por Sandra Ortega, a herdeira multimilionária da marca Zara, que pretende criar um resort de luxo naquela área, também será um novo fôlego para o turismo com emprego ao longo de todo o ano.

Neste sector a precariedade no emprego já não se justifica, nem é resposta ao mercado que temos actualmente, no qual o turismo se revela como a nova alavanca da economia nacional.

 

UGT regista que, no sector do turismo, mais de 40% do emprego é precário. Para Manuel Fernandes o novo aeroporto pode ser solução, com mais emprego de qualidade. ©ALEX GASPAR

No turismo temos recursos para um mercado de trabalho continuo?

É aqui que entra a oportunidade de criar emprego de qualidade e o impacto do tipo de emprego que estes três pilares permitirão criar. Com rendimentos mais elevados e uma nova estabilidade para as famílias, que muitas vezes querem fixar-se em Setúbal, mas não o podem fazer devido aos baixos rendimentos que as oportunidades profissionais da região oferecem.

Criar uma massa de postos de trabalho não é o que move a UGT. Mas sim, criar emprego de qualidade. Conseguir um bom balanço entre oferta e qualificação. Algo que não tem sido possível no turismo.

Segundo os números da UGT, nesta área mais de 40% do emprego gerado é precário. Números que já não fazem sentido, uma vez que a nossa actividade no turismo já não tem por base a sazonalidade.

 

Afirma a possibilidade do novo aeroporto gerar 10 mil postos de trabalho. Contudo, o presidente da Câmara da Moita aponta esses números como ‘propaganda’.

Tenho a certeza de todos podemos formular opiniões sobre este projecto, tendo algum conhecimento sobre o contexto que nos está mais próximo e a UGT tem escutado o que Rui Garcia tem a dizer. Mas, o facto é que o Estudo de Impacte Ambiental sobre o novo aeroporto no Montijo aponta para a criação de 10 mil postos de trabalho a médio prazo. E não temos nada, ou outro estudo oficial, que contraponha essa avaliação.

Existem opiniões divergentes na localização, nos impactos no ambiente, possíveis riscos para a saúde, mas temos a certeza de que o estudo prevê essas situações com medidas mitigadores adequadas e não podemos descredibilizar tudo, tomando posições que atrasam o desenvolvimento da região.

 

Estabelecidos três pilares para a criação de emprego de qualidade no turismo, há outro sector em crise. Como é que a UGT está a acompanhar a situação na Saúde?

Na Saúde as notícias não têm sido muito favoráveis, nomeadamente em relação ao Hospital Garcia de Orta. É uma preocupação a falta de investimento na Saúde e compete-nos exigir que o estado cumpra. Sabemos das Unidades de Saúde Familiar previstas para Setúbal, Moita e Seixal, onde se espera também o novo hospital, e vamos continuar a exigir que se cumpram.

Esse será o nosso trabalho ao nível dos equipamentos. Agora o que existe na contratação de médicos preocupa-nos muito. E estamos a agir em termos sindicais, sendo uma das nossas principais preocupações a contratação de médicos de família em falta para milhares de utentes no distrito.

O problema central são as péssimas condições de trabalho, que levam a que os concursos abertos continuem a ficar vazios.

 

Novo sindicalismo ajusta-se a novos profissionais

 

A UGT mantém mais de 450 mil filiados, número que tem vindo a decrescer. O sindicalismo acompanha a sociedade actual?

Infelizmente, o mundo do sindicalismo vive os mesmos problemas que outras instituições com a falta de credibilidade. O sindicalismo está a passar por uma má fase. A sociedade é exigente, mas é distante. As pessoas são críticas, mas não procuram soluções.

Claro que reconheço uma necessidade de renovação da parte dos sindicatos. Hoje, já não temos uma empregabilidade de massa. Apenas de nicho. Aliás nesse caso o aeroporto é talvez um caso único de trabalho de massa, nas últimas décadas. Mas, temos que ter respostas para os novos trabalhadores que se qualificam e posicionam em nichos.

 

Como é que a UGT pretende chegar a estes novos profissionais?

A estratégia passa por responder às suas preocupações de hoje, para que se mantenham no mercado de trabalho como profissionais competitivos. Com estabilidade para desempenhar as suas funções.

Damos resposta a situações de qualificação profissional, apoio na aquisição de manuais escolares e creches. Um modo de dotar as famílias de estruturas.

O sindicalismo de hoje deve ser isto como uma oferta de serviços, com foco nas necessidades especificas de cada trabalhador. Mas os trabalhadores ainda não tomaram essa consciência de que o nosso trabalho está além das reivindicações laborais.

 

Quem são os novos sindicalizados?

Por incrível que possa parecer são quadros médios e especializados de empresas. Temos directores a sindicalizarem-se, um novo espectro ao qual é preciso saber passar a mensagem.

Depois, existe a dificuldade em chegar à sindicalização jovem. Esse é um dos motivos pelos quais em março de 2020 planeamos a nossa presença na Feira de Emprego de Grândola, de modo a estarmos próximos de uma geração que trabalha em condições precárias. O que leva a diferentes actuações ao nível do sindicalismo, relacionadas com a qualificação profissional, para acompanhar de forma segura um mercado de trabalho que funciona, cada vez mais, de modo acelerado.

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