Navigator lembra regalias concedidas mas greve deve avançar amanhã

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Empresa diz não haver justificação para a posição tomada pelos trabalhadores. A produtora de papel afirma que paga duas vezes e meia mais do que o salário médio nacional e lembra um conjunto de benefícios implementados nos últimos tempos

 

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Os trabalhadores que operam nos complexos fabris da Navigator, em Setúbal e no resto do País, devem iniciar amanhã uma greve de quatro dias, a avaliar pela mais recente posição assumida pela empresa. A Navigator considera não haver justificação para a greve que os trabalhadores pretendem realizar até ao próximo sábado, tendo em conta a redução de horários de trabalho e aumentos remuneratórios registados.

“Conhecidos os objectivos da greve constantes do referido aviso prévio, a Navigator não encontra justificação para esta greve tendo em conta que a empresa reduziu o horário de trabalho de 40 para 39 horas semanais em 2019 e para 38 horas semanais a partir de 2020, garantiu o fundo de pensões a todos os seus colaboradores e atribuiu, nos últimos cinco anos, prémios de desempenho que totalizaram mais de 80 milhões de euros”, defende a empresa em comunicado, salientando que “58% dos colaboradores foram promovidos em termos de progressão de carreira nos últimos quatro anos”.

A produtora de pasta e papel, instalada em Setúbal, frisa que procedeu a aumentos salariais entre 1,5% e 2% e lembra que paga cerca de duas vezes e meia mais do que o valor do salário médio em Portugal, inferior a mil euros. Ao mesmo tempo, realça que ao longo deste ano já distribuiu “um prémio de desempenho no valor de 23 milhões de euros, o montante mais elevado na história da empresa, aos cerca de 3.200 colaboradores”.

“Foram ainda actualizados o subsídio mensal de alimentação (7,85 euros), o subsídio de infantário até aos 12 meses (70 euros) e o subsídio mensal de apoio especial aos filhos dos trabalhadores portadores de deficiência (100 euros)”, enuncia a empresa, destacando igualmente que aumentou ainda “o subsídio anual de livros para os filhos de todos os trabalhadores, entre o 1º ciclo e o ensino superior, cujos valores se situam agora entre os 95 euros e os 340 euros” e que incrementou também, para 500 euros, “o valor da Bolsa de Estudo anual atribuída aos filhos que melhor desempenho escolar obtenham”.

A Navigator fala ainda noutros benefícios sociais concedidos a todos os colaboradores, como “seguro de vida, seguro de saúde e fundo de pensões”, adiantando no mesmo documento que nos últimos quatro anos 58% dos trabalhadores tiveram progressões na carreira e que foram contratados 62 colaboradores.

Estrutura sindical fala em intransigência da empresa

Recorde-se que a Fiequimetal anunciou na semana passada que os trabalhadores das empresas do grupo The Navigator Company decidiram marcar uma greve em defesa de um reenquadramento salarial e revisão do plano de carreiras. No comunicado então divulgado, a Fiequimetal – Federação Intersindical das Indústrias Metalúrgicas, Químicas, Eléctricas, Farmacêutica, Celulose, Papel, Gráfica, Imprensa, Energia e Minas – avançou que a greve vai abranger todos os trabalhadores dos complexos fabris do grupo, em Setúbal, Aveiro, em Vila Velha de Ródão e na Figueira da Foz.

“Admite-se ainda que os trabalhadores também recusem todo o tipo de trabalho suplementar em qualquer momento, seja antes, durante ou depois daqueles quatro dias de paralisação”, informou então a estrutura sindical.

A decisão de avançar para a greve foi tomada “face à intransigência da administração do grupo, durante mais de seis meses de negociação”.

Em 2018, a The Navigator Company comprou a fornecedores nacionais 1,2 mil milhões de euros, tendo suportado, em Portugal, um total de 102 milhões de euros em impostos. Nos últimos cinco anos, investiu mais de 500 milhões de euros no País e aumentou o seu efectivo em 620 novos colaboradores.

A greve foi agendada para amanhã, a partir das 00h00 e até às 24h00 do próximo sábado.

 

Terceira maior exportadora em Portugal

A empresa, produtora de pasta e papel, tissue e energia, é a terceira maior exportadora portuguesa. Representa, aproximadamente, 1% do Produto Interno Bruto nacional e 2,4 das exportações nacionais de bens. Em 2018, The Navigator Company registou um volume de negócios de cerca de 1,6 mil milhões euros, o equivalente a um incremento de 3,3% em relação a 2017. Com vendas de 1.248 milhões de euros, o segmento de papel representou 74% do volume de negócios, a energia 10% (173 milhões de euros), a pasta também cerca de 10% (167 milhões de euros) e o negócio de tissue 5% (91 milhões de euros).

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