Braamcamp. CDU afirma “Interesses económicos não se podem sobrepor a gestão política de bom senso”

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PS acusa CDU de boicotar futuro da Quinta do Braamcamp, devido à impossibilidade dos eleitos marcarem presença na reunião de Câmara agendada para dia 4. Vereadora Sofia Martins considera acusação inadequada e questiona futuro imobiliário previsto para o local.

 

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Desde que os novos planos para a Quinta do Braamcamp foram anunciados em Fevereiro, durante uma sessão pública de esclarecimento organizada pelo executivo PS da Câmara do Barreiro, que municipes e partidos políticos têm apontado diferentes pareceres em relação ao futuro daquele espaço.

As posições entre PS, CDU e PSD dividem-se sobretudo quando é colocada a hipótese de ter construção imobiliária em 5% dos 21 hectares da quinta. E o recente adiamento da reunião extraordinária de Câmara, marcada para dia 4 de Novembro, e na qual seria votado o novo Plano Urbanístico da Braamcamp  voltou a aquecer o debate, devid à impossibilidade de comparência por parte de eleitos da CDU.

Em comunicado, o PS Barreiro afirma não que irá aprovar o destino da Braamcamp sem participação de todos os partidos. Considerando “este assunto demasiado relevante para que se permita, a quem quer que seja, fugir à discussão”.

As declarações são apresentadas perante a indisponibilidade da CDU marcar presença na referida reunião. Uma ausência que o PS aponta como “boicote” ao futuro da Braamcamp.

Uma vez que, a reunião foi convocada com seis dias antecedência. “Período três vezes superior ao exigido por Lei”, mais, seria realizada num horário “absolutamente habitual nos últimos 20 anos”. Não se justificando por isso a impossibilidade dos eleitos da CDU organizarem a sua presença.

Em representação da CDU, a vereadora Sofia Martins alega que, “nunca se tratou de um boicote, mas sim de uma real impossibilidade a qual foi reportada ao presidente da Câmara com a proposta de que a reunião fosse realizada no dia 18 de Novembro. Proposta que não foi aceite”.

Sofia Martins explica ainda que, “não havia impossibilidade total de presença por todos os elementos da CDU, havia sim, impossibilidade de ter presentes os eleitos que têm acompanhado de perto este caderno e que podem trazer contributos essenciais ao debate. Isto não se colocou por boicote algum. Aliás, consideramos essa afirmação despropositada e desadequada. Isto colocou-se devido a outros compromissos profissionais destes elementos e a presidência foi alertada a tempo, na quinta-feira, dia 31 de Outubro”.

Datas rebatidas, a reunião extraordinária foi reagendada para 11 de Novembro e, em declarações a O Setubalense-Diário da Região, Sofia Martins já avançou que a mesma contará com a presença da CDU. “Levaremos a debate questões que consideramos centrais no âmbito deste projecto”.

 

Projecto anti imobiliário é mais antigo

 

Quanto ao futuro da Braamcamp, Sofia Martins reafirma a posição de sempre. “A CDU considera que o espaço há muito deveria ter sido requalificado. Mas, devido ao investimento necessário não tem sido possível. O que acontece é que deve ser um projecto diferente, porque interesses económicos não se podem sobrepor a gestão política de bom senso”.

As diferenças entre o que PS e CDU querem estão, segundo a representante da bancada CDU, “na gestão sustentada do espaço, garantido a preservação ambiental e retorno para os barreirenses”.

Sofia Martins vai mais longe e recorda a votação de 2016, aquando da aquisição da Quinta do Braamcamp, que então se encontrava no domínio privado. “Na época a aprovação da compra foi unanime por todas as forças políticas e foi também unânime que a aquisição estava ser feita para salvar o espaço do investimento imobiliário, dado o seu valor ambiental e o facto de representar um lugar único, para o Barreiro e concelhos vizinhos”.

Com esta perspectiva, a vereadora defende soluções que passam por “espaços de lazer e prática desportiva, disponíveis para os barreirenses e com a possibilidade de contacto com a natureza, criando maior proximidade ao rio”.

Quanto às propostas imobiliárias apresentadas pelo PS, Sofia Martins esclarece. “O Barreiro não precisa necessariamente dos fogos previstos para a Braamcamp. No concelho existem mais de 6 mil fogos devolutos, nos quais se poderia investir para criar nova habitação. Existem inclusive urbanizações por terminar que podem representar essa resposta”.

Ao nível do investimento privado a CDU mantém, sim, concordância com a instalação de restauração no local, assim como de “pequeno alojamento local”.

 

Nove meses sem nascimento à vista

 

Do outro lado da balança, o PS afirma que nunca escondeu os planos para a Braamcamp e que os mesmos são claros desde 2017, quando apenas decorria a campanha eleitoral para as eleições autárquicas.

Certo é que, para além das sessões de esclarecimento público realizadas pelo PS em Fevereiro e Setembro, para apresentação da ideia base e do plano urbanístico, foi ainda encomendada uma sondagem à empresa “Aximage”.

Um momento de participação pública, durante o qual os barreirenses afirmaram a sua vontade em requalificar a Braamcamp.

Para o PS Barreiro o estudo de opinião “consumou a aprovação quase absoluta dos inquiridos”, sobre o facto de ser necessária uma mudança para a Quinta do Braamcamp. “Neste âmbito, 91,1% dos participantes consideram a requalificação do espaço muito importante para o Barreiro e 76,5% concordaram com a construção de 5% para habitação, sendo o restante espaço ocupado para actividades de que todos possam beneficiar”.

Em resposta a este estudo a CDU levanta dúvidas. “Ninguém sabe como as questões foram realmente colocadas à população e se os munícipes que responderam conheciam o projecto na integra. O que nos tem chegado são reclamações de pessoas que dizem que o questionário foi conduzido para se ter uma e só posição”.

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