Presidente do São Bernardo reafirma que hospital não acompanhou gravidez da mãe de Rodrigo

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O presidente do Conselho de Administração do Hospital de São Bernardo garante que esta unidade não acompanhou a gravidez da mãe de Rodrigo. Tudo indicava ser um parto normal, afirma. Agora aguarda o resultado dos processos apresentados nas instâncias competentes

 

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A sala de partos do Hospital de São Bernardo, em Setúbal, não esperava as malformações do bebé Rodrigo. Naquele dia 7 de Outubro, quase tudo indicava “um parto normal”, comentava ontem à TSF o presidente do Conselho de Administração Centro Hospitalar de Setúbal.

Manuel Roque vincava que o hospital que dirige “não teve contacto prévio com este caso”. Mais ainda, deu a saber que esta unidade não trabalha com a clínica Ecosado em ecografias na gravidez, as quais eram realizadas, a título privado, pelo obstetra Artur Carvalho onde seguia as mães, nomeadamente a de Rodrigo.

Conta Manuel Roque que o Hospital de Setúbal, que realiza cerca de 1600 partos por ano, foi escolhido pela parturiente que “trazia consigo exames e relatórios” que indicavam um “parto normal”. Mas assim não aconteceu.

Artur Carvalho, de 69 anos e há 29 chefe de serviço de obstetrícia e ginecologia do Hospital de Setúbal, que acompanhou a gravidez da mãe de Rodrigo, acabou por ser acusado pela família, que fez queixa no Gabinete do Utente no Hospital de Setúbal. “Nada houve contra os procedimentos do hospital, disso a cliente não se queixou”, diz Manuel Roque que frisa ter sido esta queixa contra obstetra.

Foi nessa base que o hospital mandou abrir um inquérito. “Não podíamos decidir uma suspensão do médico sem termos certezas”, diz o presidente do Conselho de Administração.

Entretanto, Artur Carvalho pediu a auto suspensão de realização de ecografias na gravidez, e o hospital terá decidido não avançar, ou pelo menos adiar, a suspensão do médico. Mais ainda com o Conselho Disciplinar Regional do Sul da Ordem dos Médicos a decidir, na terça-feira à noite, suspender o obstetra de funções, preventivamente, por seis meses, tendo de existir depois uma decisão conclusiva.

Entretanto o Centro Hospitalar de Setúbal, ao qual pertence o Hospital São Bernardo, diz que “aguarda o resultado dos processos apresentados nas instâncias competentes”.

Em comunicado divulgado após reunião em Lisboa, o Conselho de Disciplina diz que foram analisados vários processos pendentes contra o médico obstetra Artur Carvalho, e que face à análise feita pelo relator dos vários processos pendentes, entende que “existem fortes indícios de que as queixas poderão ter fundamento, sendo de realçar que não constam dos autos dos processos quaisquer respostas do arguido que possam contrariar tal convicção”, refere a Lusa.

O documento refere ainda o “desprestígio” que a conduta do médico acarreta para a profissão “ao pôr em causa a confiança na qualidade dos serviços médicos obstétricos prestados em Portugal”.

“Tendo também em consideração o risco da continuação por parte do médico arguido da sua conduta, foi deliberada pelo Conselho Disciplinar Regional do Sul a suspensão preventiva do Dr. Artur Fernando Silvério de Carvalho, nos termos do artigo 33.º do Regulamento Disciplinar dos Médicos, com base em proposta do relator”, acrescenta o comunicado, salientando que o processo disciplinar foi instaurado com a concordância de todos os membros daquele órgão disciplinar.

Entretanto, o bastonário da Ordem dos Médicos não parece agradado com a demora do Conselho de Disciplina a avaliar os processos em que o obstetra de Setúbal está envolvido. Mais ainda, quando em comunicado, este órgão dita qual a sanção a aplicar ao médico, mas não esclarece a demora na avaliação dos processos.

Nos últimos dias parece variar o número de processos levantados ao médico obstetra, o que leva o bastonário Miguel Guimarães a afirmar que “é preciso corrigir” uma situação em que pelo menos um caso é datado de 2013 sem que o Conselho se tenha pronunciado. Agora diz aguardar explicações, assim o dizia ontem na TSF.

 

Ex-ministro da Saúde receia que caso do bebé de Setúbal vire bola de neve na opinião pública

O antigo ministro da Saúde Adalberto Campos Fernandes teme que o caso do bebé que nasceu com malformações graves venha dar razão às “muitas pessoas” que põem em causa a utilidade pública da Entidade Reguladora da Saúde (ERS).

“Aquelas pessoas, e são muitas, que põem muito em dúvida a utilidade pública da ERS ganham com este episódio acréscimo de razão. Porque pergunta-se o que é que a ERS faz no domínio da supervisão, monitorização e controlo da qualidade do exercício de entidades de direito privado”, afirmou em declarações à agência Lusa o ex-ministro da Saúde, que é também médico.

No caso do bebé que nasceu em Setúbal com malformações graves, as ecografias realizadas pelo obstetra Artur Carvalho eram feitas numa clínica privada, em regime de convenção com o Estado.

A questão sobre o papel da Entidade Reguladora da Saúde na supervisão e controlo de qualidade das unidades privadas é para Adalberto Campos Fernandes “uma pergunta a que a ERS deve responder”.

“Não quero crer que o tema lhe seja desconhecido ou indiferente. Houve episódios e circunstâncias relatadas anteriores. Não acredito que o desconheça. Há que ser feito algum exercício de autocrítica”, comentou à Lusa.

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