Pais, alunos e professores saltam para a rua contra amianto nas escolas

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Telheiros com cobertura em amianto preocupam grandemente a comunidade escolar da António Augusto Louro. Fala-se mesmo em risco de saúde pública e ninguém entende o alegado silêncio do Ministério da Educação

 

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Faça sol ou chuva, a marcha de protesto contra o amianto “realiza-se hoje”. Quem o afirma é o presidente da União de Pais do Agrupamento de Escolas António Augusto Louro. Os telheiros da sede de agrupamento “são em amianto e estão a desfazer-se”, afirma Vasco Belchior que fala mesmo em “perigo para a saúde pública”.

A situação já foi apresentada ao Ministério da Educação e outros organismos de responsabilidade estatal “no ano passado”, diz o representante da União de Pais que não compreende a falta de resposta para esta situação. Aliás, houve resposta mas “para a escola”, conta e, nesse documento o Ministério comprometia-se a “substituir o amianto durante o período de férias”.

A resposta agradou mas a obra não chegou e, logo no início deste ano lectivo pais, alunos e mesmo professores alinharam num protesto que exige “respeito pela saúde das pessoas”. Apesar do protesto ser organizado pela União de Pais, os professores também não fazem boa cara aos telheiros em amianto.

A professora Vera Tavares, responsável pela logística do decorrer das aulas durante esta manhã de protesto, confirma as coberturas em amianto e diz que depois da marcha está previsto professores e Pais reúnam com responsáveis do Movimento Escolas Sem Amianto e a associação ambientalista Zero, para optarem por outras formas de luta, enquanto o Estado não agir.

Com o amianto a desfazer nos telheiros da Escola António Augusto Louro, este material também cobre as salas de aula, mas aqui Vasco Julião diz que “não há risco”, uma vez existir uma cobertura entre o amianto e os tectos das salas, mas a seu tempo “este também tem de ser substituído”, afirma.

 

Câmara promete obras nos telhados

 

O mesmo acontece com duas das cinco escolas básicas deste agrupamento, estas da responsabilidade do município. E apesar de não apresentarem risco “a Câmara do Seixal já se comprometeu a fazer obras no fim do ano lectivo”. Vasco Belchior adianta que a autarquia fez uma “intervenção nas coberturas de amianto aumentando o seu isolamento com resina”.

Entretanto, ontem, a Câmara de Setúbal emitiu um comunicado afirma que “vai participar” hoje na marcha “Não ao amianto” que irá decorrer entre as 10h00 e as 12h30. Considera a autarquia que este é “um problema grave, que coloca em causa a saúde das crianças, professores e auxiliares de educação, para o qual a autarquia já solicitou a intervenção urgente do Ministério”.

Referindo o presidente da Câmara, Joaquim Santos, o documento cita que “este é um assunto muito preocupante, para o qual temos vindo a alertar e a solicitar resposta urgente por parte do Ministério da Educação, mas até ao momento nada avançou”.

A O SETUBALENSE-DIÁRIO DA REGIÃO, o presidente da União de Pais referiu que a Câmara tinha já verba na calha para obras nas escolas da sua responsabilidade e o presidente da Câmara fala exactamente num investimento de “cerca de seis milhões de euros na manutenção, requalificação e ampliação em 16 escolas do 1.º ciclo”.

A marcha de protesto começa às 10h00 à porta da António Augusto Louro, segue pela Quinta da Fidalga até à Secundária José Afonso, dai segue para a Escola Básica do Bairro Novo – esta uma das escolas com telhados em amianto, assim como a da Quinta da Courela.

Chegados frente ao edifício da Câmara Municipal do Seixal haverá intervenções públicas e, findas estas, o protesto regressa à Escola António Augusto Louro.

 

Bloco fala de paralisia do Ministério da Educação

O Bloco de Esquerda já reagiu a esta marcha contra o amianto convocada pela União de Pais do Agrupamento de Escolas António Augusto Louro. Em comunicado, a Coordenadora Distrital de Setúbal do Bloco de Esquerda afirma que esta manifestação “merece toda a concordância” desta estrutura do partido, “face à paralisia do Ministério da Educação relativamente a um problema que se arrasta ano após ano na falta de retirada do fibrocimento degradado que
contém amianto em diversos estabelecimentos de ensino”.

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