Crise nas urgências deixa saúde da região em quarentena

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Urgências dos hospitais de Almada, Barreiro e Setúbal deviam servir cerca de um milhão de utentes. Falta de médicos compromete serviços com atendimento a conta-gotas

 

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Macas insuficientes, médicos sem resposta célere para senhas amarelas e laranja e crianças sem urgência pediátrica, marcaram os hospitais de península nos últimos três dias. A crise das urgências hospitalares percorre a península e o Hospital Garcia de Orta (HGO) representa caso mais preocupante, com urgência pediátrica encerrada há três noites. No centro deste constrangimento está a “insuficiência de médicos pediatras para cumprir a escala nocturna”, esclarece a direcção do HGO.

Em Setúbal, depois de um fim-de-semana em sobrelotação, ontem as urgências do Hospital São Bernardo voltaram a funcionar normalmente, “sem picos a registar”, segundo avançou fonte próxima à direcção do Centro Hospitalar de Setúbal (CHS). No entanto, uma normalização que apenas chegou ao fim da tarde.

Durante o dia o Serviço de Urgência Geral do Hospital São Bernardo manteve-se sobrelotado e a comunicação social chegou mesmo a avançar que estava encerrado. A O Setubalense a direcção do CHS esclareceu que, apesar de ter informado o CODU (Centros de Orientação de Doentes Urgentes) sobre os congestionamentos, não encerrou portas e continuou a receber os doentes da sua área de influência. Pelas 17h40 a situação estava normalizada.

Quanto aos factores que influenciaram esta situação, a direcção avança que as urgências estiveram sobrelotadas, “principalmente com utentes idosos, em sequência das mudanças de temperaturas que se têm vindo a registar nos últimos dias”.

No Centro Hospitalar Barreiro Montijo o Serviço de Urgência Geral também ficou contagiado por este ‘síndrome de sobrelotação’ embora com menos mediatismo.

Com afluência elevada, entre a noite de domingo e a madrugada de segunda-feira, no Serviço de Urgência do Hospital do Barreiro doentes com senha amarela aguardaram mais de quatro horas para serem atendidos.

A situação é recorrente e os utentes apontaram o que veem continuadamente. “Médicos a passear pelos corredores sem chamarem nenhum doente durante horas. Enfermeiros a fazer repetidas pausas para fumar enquanto aguardamos medicação, muitas vezes com toma urgente”. Uma situação que “nem mesmo melhorou com a cara lavada que as urgências nas obras feitas este ano”.

Eurídice Pereira, membro da Comissão Parlamentar da Saúde, afirma que “embora possam continuar a regista-se constrangimentos no atendimento a doentes, fruto da falta de médicos, é inegável que o Serviço de Urgência melhorou no Barreiro”, devido a investimentos recentes na requalificação de infraestruturas.

A deputada reeleita pelo círculo de Setúbal nas eleições do dia 6, salienta ainda que “em Setúbal também estão previstos investimentos estruturantes ao nível da Saúde”, os quais “podem contribuir para melhorar a assistência aos utentes”. No entanto, a melhor assistência dependerá sempre “da capacidade de fixar médicos na região”.

Declarações exclusivas sobre o panorama da Saúde na península, que O SETUBALENSE publica amanhã em entrevista.

 

Crianças passam mais uma noite com porta da Saúde fechada

 

Com a crise das urgências a prometer recaídas nos próximos dias o Hospital Garcia de Orta anunciou ontem mais uma noite de portas fechadas na Urgência Pediátrica. O serviço apenas retomou a sua normal actividade esta manhã.

As causas estão esclarecidas com a continuada “insuficiência de médicos pediatras para cumprir a escala nocturna”. Mas a situação arrasta-se há um ano, desde que saíram 13 profissionais do hospital. E nem mesmo o lançamento de concursos foi suficiente para colmatar a carência porque “ninguém concorreu”, segundo avançou à Lusa o Sindicato dos Médicos da Zona Sul.

 

Por Ana Martins Ventura e Humberto Lameiras

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