Novos Caminhos de Santiago no Alentejo e Ribatejo são agora oficiais

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Igreja Matriz de Santiago do Cacém foi palco do lançamento dos dois novos percursos com destino a Santiago de Compostela

 

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“Um dia único e histórico”, começou por dizer Ana Mendes Godinho, secretária de Estado do Turismo, na cerimónia de apresentação dos Caminhos de Santiago nos territórios do Alentejo e Ribatejo, que teve lugar ontem na Igreja Matriz de Santiago do Cacém.

O local foi escolhido pelo facto de Santiago do Cacém ter uma grande ligação ao Caminho de Santiago e à Ordem Militar de Santiago de Espada. É alias, a “única cidade portuguesa com o topónimo Santiago”, referiu Álvaro Beijinha, presidente da Câmara de Santiago do Cacém (CMSC). A Igreja Matriz da cidade surge como um dos principais pontos turísticos e é um local complementar do itinerário de Compostela. Tal como o autarca referiu, constitui-se um “edifício notável da época gótica”, sendo uma “escolha óbvia”.

Ana Mendes Godinho contou que houve “uma quantidade de pessoas que disseram que isto era impossível” por ser uma ideia que incluía muita população, territórios de grande propriedade e burocracia. Porém, “o projeto mais complicado de fazer, está feito”, sublinhou.

Após explicações sobre a plataforma online Caminhos da Fé, que enaltece o turismo religioso, a secretária de Estado do Turismo esclareceu que a iniciativa era uma “grande forma de posicionamento das várias regiões”.  Os Caminhos de Santiago são, a seu ver, um “exemplo concreto de turismo ibérico”. Frisou que “no turismo não há fronteiras e este é um projeto conjunto que mostra isso”. O destino ibérico consegue ser o maior destino do mundo, desde que, referiu, se trabalhe em conjunto. Portugal “é um país que constrói pontes entre todos”, salientou.

António Ceia da Silva, Presidente da Entidade Regional do Turismo (ERT), Alentejo e Ribatejo, e Álvaro Beijinha, Presidente da CMSC atribuíram igualmente importância à iniciativa e ao crescimento da região.

“Seguramente que a partir de hoje vamos ter um grande impulso”, afirmou Álvaro Beijinha, considerando que o projeto é um marco para o futuro de Santiago do Cacém e que é uma forma de aproximação à Galiza, sendo estas “cidades irmãs”.

De acordo com o autarca, tem havido um “crescimento bastante significativo” a nível do turismo sustentável. “Um bom exemplo deste desenvolvimento turístico sustentável é a rota vicentina” que, na sua opinião é engrandecida pelos Caminhos de Santiago.

Ceia da Silva, mencionou o “esforço enorme para qualificar esta região” que se está a fazer e que se trata zona do país que mais cresce atualmente. “Em dois anos tivemos mais 36% dos turistas”, destacou. “Não é um crescimento só quantitativo, é qualitativo”, destacou. Esclareceu também que estão “em execução neste momento” 32 projetos. Ceia da Silva admite que o “turismo é isso. É negócio, venda, atividade económica.” Classificou a iniciativa como identitária, autêntica e genuína.

A cerimónia e discursos decorreram na parte da manhã, com cinco assinaturas protocolares, mas também com a estreia do filme promocional “Caminhos de Santiago Alentejo Ribatejo”, realizado por Danilo Warick, e com a sessão “A História e a Bênção dos Caminhos de Santiago Alentejo Ribatejo”.

O projeto, que envolve um investimento de 400 mil euros apoiados por fundos comunitários como declarou Ceia da Silva, não só é religioso como cultural e turístico. E terá terá um alto impacto económico. Visa resgatar a narrativa e o simbolismo da fé dos peregrinos e também evidenciar paisagens e tradições populares dos locais por onde se passa. O artesanato, a tapeçaria, a gastronomia e o cante alentejano podem dar-se a conhecer. Igrejas, menires, castelos, fontes, rios e searas fazem parte dos percursos. É com o intuito de promover a observação que o projeto foi validado. Dessa forma, dá-se a oportunidade de os peregrinos ficarem alojados no final de cada etapa, nos diversos locais.

No total, os três caminhos passam por 44 municípios. Iniciam-se no Algarve, o Central de 420 quilómetros, em Tavira, e o Nascente de 360 quilómetros, em Faro. Resta o percurso fronteiriço, de raia, existente apenas no digital, por enquanto, que ruma igualmente à cidade espanhola.

Para se descobrir “um segredo bem guardado”, que o slogan da iniciativa esconde, seguem-se as setas amarelas e a famosa vieira, uma marcação dupla efetuada a pedido de Ana Mendes Godinho, até ao destino.

Na Igreja encontrava-se também a peça El Matador de Joana de Vasconcelos, maioritariamente de crochet, que havia sido feita em 2007 para a exposição “No Caminho sob as Estrelas, Santiago e a Peregrinação a Compostela”, realizada igualmente na Igreja Matriz de Santiago do Cacém.

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