Estacionamento no Seixalinho deixa utentes de ‘coração nas mãos’

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Para os amigos do alheio, o local é quase como que um “supermercado de peças” automóveis. Relatos de vítimas sucedem-se. Desde veículos furtados que nunca mais foram encontrados a outros que foram “descascados” até ao motor

 

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São muitos os que bem cedo pela manhã, quase todos os dias, estacionam no Cais do Seixalinho para apanharem o transporte fluvial para Lisboa, tendo em vista mais uma jornada diária de trabalho, mas à medida que embarcam vão sentindo o “coração nas mãos”. Uma ansiedade que volta a crescer no trajecto de regresso, ao final da tarde ou da noite, motivada pela incerteza de não saberem se vão sequer encontrar as respectivas viaturas no local ou se as mesmas terão sido alvo de furto de peças.

A situação não é nova e o sentimento de insegurança tem vindo a aumentar entre os utentes que escolhem as carreiras da Transtejo como meio preferencial de deslocação para a outra margem do Tejo, deixando os veículos próprios no parque de estacionamento que, desde o início de Junho de 2017, passou a ser gratuito, fruto de um protocolo rubricado entre a empresa transportadora e a Câmara Municipal do Montijo.

 

os amigos do alheio até já se dão ao luxo de “descascar” partes de motor das viaturas, fazendo transparecer a ideia que vão abastecer-se a um supermercado de peças automóveis

 

Nos últimos meses os relatos de furtos têm vindo a suceder-se e o que mais impressiona não é o número de casos registados pela Polícia de Segurança Pública mas sim o tipo de furtos praticados que, em algumas situações, apesar de serem perpetrados em plena luz do dia, obrigam à dispensa de largo período de tempo, pois os amigos do alheio até já se dão ao luxo de “descascar” partes de motor das viaturas, fazendo transparecer a ideia que vão abastecer-se a um supermercado de peças automóveis.

Ana Monteiro, residente no Montijo, relata um dos casos que ocorreu a 15 de Abril último em que a vítima foi o seu pai. “Partiram o vidro de trás para poder entrar no veículo, roubaram o GPS, de seguida abriram o ‘capot’ e roubaram a bomba injectora, partiram a tampa da distribuição, cortaram a correia de distribuição também, desaparafusaram o apoio do motor e deixaram o motor caído… além de vários fios”, conta, lembrando que a viatura “foi deixada às 8h15 da manhã e encontrada no referido estado às 19h00”.

O estado em que ficou o veículo do pai de Andreia Monteiro

Este, porém, não é caso isolado. Existem vários outros, a dar conta de vidros partidos, auto-rádios e baterias furtados e veículos encontrados apoiados apenas em cima de tijolos.

“Já me roubaram peças exteriores como um farol e um acessório plástico. Também já foram roubadas na mesma semana baterias e pneus novos. Ninguém os pára. Fiz queixa na GNR e nada feito. Pelos vistos isto continua”, lamenta Catarina Carvalho, que esteve envolvida na dinamização de uma petição pública a exigir mais vigilância no Cais do Seixalinho, que acabou por não ter o impacto desejado entre os utentes.

Na rede social Facebook, nas páginas relacionadas com a comunidade montijense, verificam-se ainda relatos de quem apenas encontrou o espaço onde havia deixado a viatura estacionada. Em dois desses casos, as viaturas não chegaram a ser recuperadas.

PSP registou 32 participações desde 2015

De 2015 a esta parte, a Polícia de Segurança Pública (PSP) apenas tem registo de um total de 32 participações apresentadas por utentes proprietários de viaturas que foram alvo de furto ou até mesmo furtadas no local.

 

tivemos cinco participações em 2016, 14 em 2017, sete em 2018 e seis este ano até à data

 

“Relativamente a furtos de veículos e a furtos de interior de viaturas, no Cais do Seixalinho e Estrada do Seixalinho, tivemos cinco participações em 2016, 14 em 2017, sete em 2018 e seis este ano até à data”, indicou o Comando Distrital de Setúbal da PSP a O SETUBALENSE.

Este total, todavia, pode até ser superior, uma vez que se desconhece o número de casos em que as vítimas terão optado por não apresentar queixa nas autoridades.

A PSP assume ter “uma responsabilidade genérica da segurança pública” no parque de estacionamento localizado no Cais do Seixalinho, ao mesmo tempo que admite que faz todo o possível ao seu alcance no patrulhamento da zona. Mas não é fácil.

“O Cais do Seixalinho, devido ao elevado movimento de pessoas e viaturas que tem diariamente, é um local que merece uma especial atenção por parte da PSP. Dentro dos meios operacionais disponíveis, o local é alvo de um policiamento de visibilidade com a assiduidade possível. Mas não nos é possível policiarmos o local durante as 24 horas, pois isso exigiria um elevado efectivo diariamente, que a Esquadra do Montijo não tem para esse efeito”, explica a força de autoridade.

A Comissão de Utentes do Cais do Seixalinho (CUCS) diz-se preocupada com a situação, sobretudo com os relatos de furtos que recebeu já este ano e que vêm reforçar o histórico de casos.

“A Comissão de Utentes do Cais do Seixalinho vê com grande preocupação a situação da notícia de vários assaltos a viaturas no parque de estacionamento. Quando chegou ao conhecimento desta comissão a informação de mais um furto [no mês passado], a CUCS solicitou informações sobre o assunto junto das entidades competentes, nomeadamente a Câmara Municipal do Montijo na qualidade de gestora do parque de estacionamento e a PSP do Montijo”, comentou a comissão de utentes, adiantando que até então ainda não havia obtido respostas.

A CUCS garante ainda que irá manter-se “atenta ao evoluir da situação” e espera que “seja encontrada rapidamente uma solução”. A concluir, deixa um alerta: “Não aceitaremos que isto possa ser usado como pretexto para que o parque volte a ser pago”.

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