Bispo de Setúbal recorda D. Manuel como homem do evangelho que soube ler os tempos

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A Diocese de Setúbal tem três datas marcantes para celebrar a sua criação. Uma delas é amanhã e, é provável que o Bispo de Setúbal, D. José Ornelas, relembre D. Manuel Martins e avance novos desígnios da Diocese. O ano passado afirmou que o próximo biénio era dedicado aos jovens

 

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A Diocese de Setúbal comemora amanhã o 44.º aniversário da sua criação. “É celebrado em todas as paróquias”, diz o Bispo de Setúbal, D. José Ornelas. É o dia em que, por costume, é anunciada as nomeações de vários padres para a vida pastoral diocesana, para além outros eventos, mas, essencialmente, “é uma data sentida na Diocese”.

Apesar de assinalado, o 16 de Julho não é visto como o dia oficial em que se celebra a Diocese, assim o diz D. José Ornelas que aponta a data de 8 de Dezembro por ser o dia de celebração de Santa Maria da Graça, que dá o nome a uma ex-freguesia de Setúbal, primeiro burgo medieval deste concelho, onde se situa a Sé, edifício do século XIII e reconstruído na segunda metade do século XVI.

Mas a Diocese de Setúbal tem ainda outra data a celebrar, o 26 de Outubro. Este é vincado do por D. José Ornelas como o dia “real da do começo da vida diocesana de Setúbal”. O dia em que foi ordenado o primeiro Bispo de Setúbal, D. Manuel Martins, em 1975.

Uma data que, “para quem tem ainda memória pessoal desses anos, sabe como foi um ano difícil e emblemático de viragem em Portugal”. O país ainda estava nos ventos de mudança da revolução do 25 de Abril de 1974; “anos decisivos”, comenta. Na época, tudo, ou quase tudo, do que vinha do anterior regime era contestado, e a religião Católica Apostólica Romana estaria nessa linha de mira.

No entanto, D. José Ornelas, em 1974, com 20 anos e estudante de teologia, já sentia uma atitude de mudança na Igreja, e vê como decisão de coragem nomear como primeiro Bispo de Setúbal um homem do Norte, região vista como mais conservadora. “D. Manuel chegou, vindo do Norte, e foi inicialmente contestado aqui em Setúbal”, mas mostrou ser um homem do “evangelho capaz de sair da procissão para ir ao encontro dos contestatários”, refere. Na sua opinião, D. Manuel foi um Bispo que “precedeu aos tempos”, alguém que soube “fazer pontes para um novo Portugal”.

No ano passado, a 16 de Julho, D. José Ornelas afirmava a importância da Diocese de Setúbal de se unir e trabalhar na renovação da Igreja. “É nesta Igreja de Setúbal que, ao longo dos últimos 43 anos se materializou em tantas coisas, que queremos continuar a caminhar. Há que ganhar coragem para, com o mesmo Espírito que formou esta Igreja diocesana, enfrentar os tempos que estão a mudar”.

E terminava então a afirmar que “o nosso próximo biénio será dedicado aos jovens. A nossa juventude precisa de mães que, como Maria, ficam atrás para acarinhar e cuidar das feridas. Temos que encontrar espaço para os jovens na nossa casa. A Igreja tem que ser mãe que acolhe, caminha e dá esperança aos jovens”.

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