Monumento perpetua chegada do primeiro automóvel a Portugal

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Conde d’Avillez recebeu o primeiro veículo importado em Santiago do Cacém e teve acidente na primeira viagem. O topo de gama atingia os 20km/h

Santiago do Cacém tem um novo monumento, alusivo ao primeiro automóvel que chegou a Portugal, em 1895. É na Avenida Dom Nuno Álvares Pereira, antes de se chegar à zona de superfícies comerciais, que se vê numa rotunda um carro suspenso. A instalação retrata um Panhard & Levassor, modelo que foi o primeiro a circular no país. Feito de ferro, aço e fibras, a escultura foi pensada e realizada por António Caetano.

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O presidente da CMSC, Álvaro Beijinha, disse que a inauguração, há duas semans, foi “um acto simbólico”, de um acontecimento histórico. De acordo com o autarca, “este era um projeto que a Câmara há muitos anos ambicionava, mas que por vicissitudes várias ainda não tinha sido possível concretizar. Mas, com as obras para a construção da superfície comercial solicitámos apoio à Sonae que o comparticipou em 50%.”

O presidente da câmara explicou a escolha do local. “Aquando da infraestruturação e embelezamento desta zona, entendemos fazer esta rotunda numa das principais avenidas da Cidade e nela colocar este monumento para que quem nos visite fique a saber que Santiago do Cacém, entre muitas outras coisas, teve o privilégio de receber o primeiro automóvel que circulou em Portugal”.

A inauguração contou também com a 25.ª Viagem Histórica, a tradicional recriação da viagem que aconteceu há 124 anos, organizada pelo Clube de Automóveis Antigos da Costa Azul. Em nome do clube, Marco Paiva agradeceu a oportunidade de participação no evento. “Sentimos que fazemos parte deste monumento, há 25 anos que vimos a Santiago do Cacém fazer a recriação do trajeto desta viagem histórica, e tínhamos este sonho”, destacou o homem apaixonado por carros clássicos.

Para os que desconhecem a história, ou para os que a desejam relembrar, conte-se o primeiro carro importado veio de França. Foi comprado por D. Jorge d’Avillez, um jovem aristocrata, que se encantou pelo automóvel em Paris.

Em Outubro de 1895, a viagem do Panhard & Levassor, uma criação gaulesa, tornou-se um marco. Com início em Cacilhas, rumo a Santiago do Cacém, demorou cerca de três dias, sendo que o veículo atingia no máximo 20km/h. Na zona de Palmela, ocorreu um atropelamento de um burro. Note-se que há época, não havia cartas de condução ou código da estrada, nem estradas capazes. Era um enorme progresso ter um carro e no caso, tratava-se até um modelo topo de gama, com quatro lugares e uma capota que permitia torná-lo descapotável.

Hoje ainda se encontram em Santiago do Cacém vestígios da família d’Avillez.  Para além da mais recente construção do monumento, ainda estão erguidas edificações que pertenciam à família. O Palácio – com pormenores do neo-gótico, neo-rococós e Tardo.Romantismo – e a Tapada dos Condes de Avillez podem ser observados na zona histórica da cidade perto do Castelo e jardins circundantes.

Refira-se que o palácio funciona actualmente como estalagem, de nome “Casa de Santiago”. Foi reabilitado pelos irmãos José Duarte e Francisco Lobo de Vasconcellos.

O turismo de habitação, situado no número três da Rua Condes de Avillez traduz um enquadramento histórico e elegância. A estadia mínima é de duas noites, com pequeno-almoço de buffet. A propriedade dispõe de piscina aquecida e vários extras mediante pedido. A estadia de um casal, num fim-de-semana, custa 270 euros.

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