Escritores vão falar do que sabem

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O autor publicou as primeiras obras aos 60 anos. Vejamos se foi um tempo perdido ou um tempo a recuperar

 

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Os Volumes I e II de “Guardadores de Memórias”, de Roberto Pereira Rodrigues, vão ser apresentados na próxima sexta-feira, a partir das 18h00, na Galeria de Exposições Augusto Cabrita. A missão foi confiada a um conhecido escritor, também  açoriano, João de Melo, autor de obras tão belas como “O Meu Mundo não É Deste Reino” ou “Os Navios da Noite”. Esta é mais uma iniciativa que se inscreve no quadro das “Conversas Com a Escrita”, programa de divulgação literária lançado há anos pela Câmara do Seixal.

“Guardadores de Memórias” é a primeira obra do autor, que chegou a este mundo no dia 15 de Agosto de 1958, na Ilha de S. Miguel dos Açores.  Sobre ela diz João de Melo: “ A escrita destes textos repentistas, feita de instantes fugazes e de imagens de ocasião, confirma a vivacidade criativa do nosso povo em matéria de uma expressão linguística própria, que todos recordamos da infância, da pobreza e das nossas casas familiares — tanto na Maia como em Rabo de Peixe, na Ribeira Quente ou mesmo em todo o concelho do Nordeste. Lá estão e por lá perduram estes mesmos e outros “Guardadores de Memórias” do povo. Disso se ocupa este segundo volume de narrações, em linha com o primeiro (de 2018). O autor designa-os por “contos”.

Onésimo Teotónio Almeida, ainda outro açoriano consagrado à escrita literária, salienta que as estórias contidas em “Guardadores de Memórias” oferecem-nos um retrato global de um microcosmo (…) num tempo que hoje parece de outro milénio (…) mas que ainda existia há cinquenta anos”.

Mas voltemos a João de Melo: “Não ficam na memória da nossa leitura deste livro nem grandes feitos, nem enredos notáveis, nem efeitos de ficção. Retemos, sim, a autenticidade de uma literatura com tempo e lugar, da qual nos sobram a escrita fluente de Roberto Pereira Rodrigues (a escrita própria, dele mesmo, e aquela que ele transcreve).
Atrevo-me a chamar textos casuais a esta escrita sobre o quase-nada ou coisa nenhuma do tempo que passa sobre casas, ruas e pessoas».

Acompanham João de Melo, nesta apresentação literária, Custódia Rebocho, Fernando Rodrigues e Suzete Câmara.

Ninguém dará o tempo por perdido. É a conclusão que se poderá tirar, desde já, pelas palavras que ouvimos de quem sabe o que diz.

Por José Augusto

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