Karen Porfiro “Se eu não soubesse que o impossível existe já teria desistido”

19
visualizações

Jovem miss dedica-se à causa da mulher negra e incentiva raparigas a assumir a sua identidade negra perante a sociedade

 

- Pub -

Após uma turnée pela Europa, a modelo recebeu o convite para ser madrinha do Centro de Reformados e Idosos do Vale da Amoreira (CRIVA). Karen Porfiro abraçou a causa e vai participar no evento “Envelhecer está na moda”, nos dias 25 e 30 de outubro, no Fórum Barreiro e no Moinho de Maré de Alhos Vedros.

Vencedora de vários concursos de beleza no Brasil, confessa ter vivido episódios marcantes durante a fase de apuramento dos concursos em que participou. “Uma das organizadoras disse que seria melhor que eu alisasse o cabelo”, conta. “Mas eu tinha acabado de passar pela transição de cabelo liso para cabelo afro e ainda estava num processo de entender a minha identidade”, revela., “Dizia ela que se eu fosse com os cabelos cacheados a coroa não iria encaixar”, acrescenta. Perante a imposição da organização e incentivada pelas concorrentes do concurso de beleza, recusou-se a transformar os cabelos e saiu vencedora do Miss Timóteo 2012.

A história repetiu-se e, de acordo com Karen Porfiro, nos concursos de beleza de Minas Gerais e de São Paulo, também lhe foi feita a mesma proposta. “Eu disse que não o faria, porque a minha passagem pelo concurso tinha se transformado num movimento contra o preconceito racial e numa luta pela liberdade da mulher negra e de cabelo afro”, afirma. “Precisava dar o exemplo às meninas que se inspiravam em mim e esperavam posturas que as representasse. Jamais poderia ser hipócrita com a minha história e adequar-me aos padrões que me estavam a ser impostos”, explica Karen.

Em 2014 surgiu a proposta para ser embaixadora da marca de produtos de cabelo Bio Extratus, uma parceria que a permitiu influenciar a marca a criar uma linha de produtos de cabelo afro. “Essa linha foi lançada há três meses. Sinto-me feliz por ter exercido uma influência que só vai trazer ganhos à Bio Extratus. E o mercado hoje pede produtos de cabelo afro”, refere.

Em entrevista a O SETUBALENSE – DIÁRIO DA REGIÃO, a jovem conta que chegou a uma altura em que rejeitou definitivamente as imposições acerca do seu cabelo. “Disse que não, e fui com o meu cabelo o mais alto possível. Mais uma vez o universo provou-me que o hashtag “Encaixa sim” é verdade. Ganhei o concurso”, afirma.

 

As dificuldades da profissão de modelo e atriz nunca a assustaram?

Sim, sempre. E isso fortaleceu-me. No início da carreira estava longe da família, sozinha em São Paulo, e a passar por um processo de identidade. Aprendi a assumir que tenho medo e não me escondo dos outros. As meninas que querem ser modelo precisam ouvir um pouco da realidade do que vão viver.

É importante inspirar as pessoas através de factos reais. Digo sempre que o mais importante não é mostrar o feito, mas a trajetória. No Brasil só passam o lado bonito das coisas.

Sofrer faz com que as pessoas percam a vontade de sonhar. Pergunto-me sempre o que é possível e o que não é possível. Há pessoas que perdem a vontade de sonhar e, às vezes, perdem a oportunidade por isso, quando os sonhos até são possíveis.

Hoje sonho muito mais alto, em ser actriz de Hollywood. Esse sonho ainda é quase impossível. Se eu não soubesse que o impossível não existe já teria desistido.

 

Como surgiu o convite para ser madrinha do CRIVA?

Através de Luis Mendonça, estilista do evento “Envelhecer está na moda” e da esposa Angelita. Ambos trabalham no CRIVA.

O Luis sempre acompanhou os desfiles e os concursos e gostou de me ver no Miss Minas Gerais. Tornámo-nos amigos através das redes sociais. Ele sempre me incentivava. Apoiava-me mesmo à distância porque ele já morava aqui em Portugal.

No ano passado surgiu a oportunidade de eu vir em turnée pela Europa e ele acabou por me convidar. Disse que seria uma oportunidade perfeita para mim e para o CRIVA. Criaríamos uma troca de vivências.

É muito bom ter essa troca de experiências. Ser madrinha é mais do que deixar usar a minha imagem, precisava vir aqui. Como no ano passado passei a ser madrinha, surgiu o evento de moda e convidaram-me. Tem tudo a ver com o que faço.

O Luis diz que há muitas meninas que precisam deste exemplo, de uma transformação de mentalidades.  E a mensagem que procuro passar não é apenas racial, beleza, cabelo, mas sobre a pessoa entender-se e descobrir qual é a sua verdade.

 

 

É importa abraçar causas como a do envelhecimento?

Sim, é muito importante. Os idosos precisam disso para se sentirem autoconfiantes. Acho óptimo que o evento misture os mais jovens com os mais velhos num mesmo espaço. Para nós podermos olhar para os idosos. Porque eles não são vistos pela sociedade. Eles também sofrem com esses padrões sociais.

Muita gente acha que quem é mais velho não pode fazer nada, não aguenta e nem é capaz de viver. Não é verdade. Por isso que é muito importante que eles apareçam e desfilem como qualquer outro jovem. Os jovens também têm as suas dificuldades, sobretudo a ignorância e a falta de experiência. Mas não significa que devam ser excluídos.

 

Quais são os seus planos?

O meu maior objectivo é ser uma artista completa: atriz, modelo, dançarina, cantora. Tenho esse sonho americano de ser uma atriz de Hollywood, fazer peças e filmes.

No próximo ano quero viver um tempo nos Estados Unidos, fazer um curso de teatro, inglês e com intenções de entrar no mercado. Acima de tudo quero conhecer o mercado para conseguir ter o meu próprio negócio de produtos para cabelo e pele afro. Sou muito empreendedora.

Comentários

- Pub -