“Apesar de estar sozinho numa montanha, nunca me senti só”

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O GNR setubalense passou no teste do Ultra Trail de Mont Blanc e simultaneamente angariou fundos para a AAMA, que apoia crianças com problemas motores. Bruno Augusto admite ter concretizado um sonho e continua a procurar a “parede” que não conseguirá ultrapassar. Dormiu apenas 15 minutos em 46 horas e vai emoldurar o dorsal 2621

 

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Aos 41 anos, Bruno Augusto cumpriu um dos seus sonhos e superou o duro teste do Ultra Trail de Mont Blanc, uma das provas mais exigentes do trail running mundial. GNR de profissão, o atleta compete compete por gosto mas desta vez decidiu abraçar uma causa solidária à entrada para a prova e ajudou a angariar fundos para a Associação Atividade Motora Adaptada. Em entrevista a O SETUBALENSE-DIÁRIO DA REGIÃO, lembrou as 46 horas de prova e falou sobre os objetivos para o futuro.

“Nos dias antes respira-se trail, é divinal. Como sabemos o tamanho da prova, temos sempre medo de falhar. Durante a prova pensei em tudo – na vida, nos problemas pessoais, na alimentação… é uma introspeção muito grande. Apesar de estar sozinho no meio de uma montanha, nunca me senti só”, começou por dizer, recordando os momentos emotivos dos últimos quilómetros: “Somos obrigados a andar com telemóvel, mas eu opto por não lhe tocar. Só ligo para a família nos momentos finais e foi o que fiz desta vez. Não foi fácil porque estava sem forças e com muitas emoções. Disse que estava bem, tive uma descarga emocional e comecei a chorar sem controlo.”

No total Bruno Augusto percorreu 170 quilómetros nas montanhas de Mont Blanc, num percurso dividido entre França, Itália e Suíça. O atleta setubalense foi um de 46 portugueses em prova, dos quais dez desistiram, e mostrou-se orgulho em ter conseguido ultrapassar um dos seus grandes objetivos. “Esta prova é a Meca do trail running. Qualquer atleta que goste de trail sonha em chegar àquela prova”, defendeu.

Foram 46 horas e sete minutos nos trilhos, nos quais apenas parou para dormir durante quinze minutos para combater as alucinações derivadas do cansaço. Para surpresa de muitos, a alimentação passou por gel de fruta para crianças, água isotérica, gel de Nestum com mel, bananas e tâmaras, tudo isto comprado num supermercado. “Terá sido esta a prova mais difícil? Em termos de tempo, sim. Em termos técnicos, competir na Madeira é pior. Há uma prova que começa em Porto Moniz e termina em Machico que é muito dura devido aos degraus”, admitiu Bruno Augusto, que conseguiu o ‘bilhete’ para Mont Blanc depois de uma série de boas prestações no circuito mundial.

 

Um quilómetro, um euro para a AAMA

A participação de Bruno Augusto na prova teve um cariz solidário, com o GNR setubalense a dar a cara por uma campanha que angariação de fundos da AAMA. “Um quilómetro, um euro” deu o mote para a iniciativa, no qual as pessoas poderão ‘comprar’ uma pequena parte do percurso de 170 quilómetros. No total, ao que o nosso jornal apurou junto de responsáveis da instituição, foram conseguidos cerca de 100 euros, que irão para as ajudas de custos das atividades promovidas pela associação junto de jovens.

“Esta prova é dedicada aos meus filhos, mas desta vez não foram só eles que levei comigo. Levei também todas as crianças da AAMA. Todos eles precisam de muita ajuda e o facto de ter corrido por uma causa foi um grande apoio emocional, porque sabia que comparado à luta deles, o meu esforço em Mont Blanc foi quase insignificativo”, disse Bruno Augusto.

 

E agora?

“Agora vem a parte difícil”, admitiu o atleta, que confessa ainda não ter decidido qual o próximo objetivo a superar. “Neste momento está a começar uma prova chamada “Volta dos Gigantes”, também pela zona de Mont Blanc mas mais do lado italiano. São 300 quilómetros, uma brutalidade. Não queria passar já para esse patamar. Gostava de atravessar a Gran Canária, que são 128 quilómetros entre Las Palmas e Las Palomas”, contou.

“Procuro a minha parede mas ainda não a encontrei. Quando a encontrar, há que saber lidar com ela ou com a frustração”, acrescentou Bruno Augusto, que guarda em casa uma das melhores recordações do Ultra Trail de Mont Blanc: “O dorsal 2621 está guardado e será emoldurado em breve. Passar aquela meta foi o culminar de muita coisa. Tenho de agradecer o apoio que tenho em casa, porque se não o tivesse não teria conseguido chegar aqui.”

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