“Ainda há um longo caminho a percorrer nos cuidados de saúde com os animais”

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As doenças propagadas entre animais e pessoas são uma preocupação constante da medicina veterinária, em especial na comunicação eficaz sobre os cuidados que precisamos ter com os nossos animais

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O veterinário Sérgio Cardeira defende a importância da evolução da legislação “até aos moldes que temos actualmente” para a protecção dos direitos dos animais como “um grande passo”. Contudo, Sérgio Cardeira admite que, “ainda há muito por fazer, sobretudo na área dos cuidados médicos animais”.

Uma área em que o IVA taxado a 23% nos serviços de veterinária “não ajuda as pessoas a procurarem assistência para os seus animais com mais frequência, mas apenas quando doentes”. Este trabalho de medicina preventiva, que deveria ser feito com mais frequência, aumenta a qualidade de vida dos animais. “E traz mais saúde para dentro da nossa casa”.

Entre as doenças transmitidas pelos animais com risco para a saúde humana estão a sarna e leishmaniose.

“A leishmaniose sendo uma doença endémica [afecta uma faixa larga de população e propaga-se rapidamente quando existe um foco de infecção]”. A sua transmissão não é directa, feita de animal para pessoa e de pessoa para pessoa, é realizada através da picada de mosquito, o veículo que transmite a doença.

Segundo Sérgio Cardeira, “hoje a leishmaniose não é uma das maiores preocupações dentro da saúde veterinária”, uma vez que é uma doença controlada, mas em Setúbal continua a ser um problema porque tem grande incidência.  “Uma conquista alcançada pelas acções preventivas realizadas junto da população que funcionaram muito bem no sentido de comunicar quais os sintomas da doença, o que é, como se transmite e como evitar os focos de mosquito. O que levou a uma diminuição de casos, embora a Arrábida esteja entre os locais endémicos para a transmissão desta doença”.

Contudo, “a leishmaniose ainda está no topo das doenças mais graves e que geram maior preocupação dentro da comunidade veterinária”, afirma Sérgio Cardeira.

Quanto à sarna, o veterinário reforça que “os cuidados necessários tendem a ser maiores, porque o risco de contágio é alto e com uma propagação muito rápida, feito por contacto directo com as feridas do animal”.

No entanto, Sérgio Cardeira refere que, “a tendência é para que estes casos venham a diminuir, porque hoje temos mais cuidados com a higiene dos nossos animais”. Cuidados que são determinantes, assim como seguir algumas normas simples, “como mudar as roupas de cama diariamente e lavar as mãos sempre que tocarmos animais infectados”.

 

Parasitas e riscos

 

Existem outros focos de doenças, sobre os quais as famílias ainda não estão bem conscientes dos riscos. “É o caso dos parasitas que se alojam no nosso sistema gastrointestinal”.

Estes parasitas são transmitidos “através dos ovos que ficam nos locais onde os animais fazem as suas dejecções”. Se os animais tiverem parasitas e fizerem dejecções dentro de casa e o local não for devidamente desinfectado os ovos permanecem. “Depois, se houver, por exemplo, crianças a gatinhar e a levar as mãos à boca, ou alguém andar descalço, a propagação é fácil”, explica Sérgio Cardeira.

“Por isso aconselho todas as pessoas que têm animais em casa a irem ao médico com regularidade e tomar medicação para desparasitação. Os mesmos cuidados devem ser tidos com os animais, claro”.

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