Segurança Social desconhece número de sem-abrigo na região

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Natividade Coelho justifica que a realidade não é estática. A directora do Centro Distrital de Setúbal da Segurança Social defende que ‘nunca podem ser apresentados números de verdade’ porque estes podem alterar-se em curto espaço de tempo

 

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Natividade Coelho, directora do Centro Distrital de Setúbal da Segurança Social, admitiu, na última terça-feira, 3, que desconhece o número total de pessoas, sem abrigo, que vivem nas ruas na região. A revelação da responsável – em resposta a uma questão lançada por O SETUBALENSE durante a apresentação do Plano de Desenvolvimento Social e de Saúde (PDSS) do concelho do Montijo, que teve lugar na Quinta do Saldanha – foi, porém, acompanhada de justificação.

“A realidade dos sem-abrigo não é estática. Os números que podem existir hoje, podem não ser os mesmos amanhã ou passados 15 dias”, explicou, acrescentando um dado determinante para que o número de casos seja visto como volátil. “Tem-se verificado uma mobilidade [de sem-abrigo] na Área Metropolitana de Lisboa”, apontou, dando como exemplo movimentos migratórios, destas pessoas, da margem norte para a margem sul do Tejo e vice-versa.

“Não sei dizer quantos sem-abrigo exactamente existem nos vários concelhos [do distrito]”, assumiu a responsável, acabando assim por confirmar que ninguém sabe, ao certo, quantos casos existem na região, conforme avançou O SETUBALENSE numa grande reportagem, intitulada ‘Abandonados’, publicada na edição da passada segunda-feira.

“Nunca poderemos apresentar números que sejam verdade”, defendeu Natividade Coelho, reforçando que o número de casos pode alterar-se num curto espaço de tempo. Uma posição que, contudo, não foi coerente com a resposta dada momentos antes por Rui Godinho, investigador do Instituto de Estudos Sociais e Económicos (IESE), responsável pela apresentação do PDSS do concelho do Montijo.

“Qual o número de casos no Montijo e no distrito? É a questão mais difícil… Não há quantificação”, afirmou, adiantando que essa é, precisamente, uma das recomendações que constam no plano. Ou seja, de um lado defende-se que é impossível aferir com rigor quantos casos existem; do outro, sustenta-se a necessidade de ser elaborado um estudo aprofundado para apurar… os números.

Rui Godinho remeteu a resposta relativa aos dados da região para Natividade Coelho, ao mesmo tempo que salientou que foram detectados recentemente no Montijo “cinco casos”, comunicados à equipa que trabalha no plano. “Situações causadas pelo aumento das rendas e também pela ausência de respostas para o problema”, acrescentou.

Concelhos tem números e caracterização de casos

No distrito, lembrou a directora do Centro Distrital de Setúbal da Segurança Social, existem “quatro núcleos constituídos que têm a ver com a dimensão de casos de sem-abrigo” – em Seixal, Almada, Setúbal e Barreiro. “Qualquer um destes concelhos tem números com a caracterização dessas pessoas [sem abrigo]”, frisou a responsável.

Os restantes concelhos, sem os denominados Núcleos de Planeamento e Intervenção Sem Abrigo (NPISA), atrás referidos, “têm interlocutor” que articula com aquela que é a estratégia nacional” implementada para dar resposta a este tipo de casos. “A identificação de situações de sem-abrigo é feita por qualquer parceiro da rede social existente nesses concelhos”, como autarquias, instituições de solidariedade social, forças de autoridade, entre outras, indicou a directora da Segurança Social.

Na edição de segunda-feira passada, O SETUBALENSE dava conta da existência de vários casos registados no concelho de Setúbal, e também entre os concelhos de Moita e Barreiro, bem como em Almada. Ao mesmo tempo era realçado que o distrito é o terceiro a nível nacional com mais casos de sem-abrigo. São centenas de casos, mas em rigor ninguém sabe quantos.

Natividade Coelho participou na apresentação do PDSS do Montijo para falar sobre a Plataforma Supraconcelhia da Península de Setúbal, que coordena enquanto directora do Centro Distrital de Setúbal da Segurança Social. Apresentou uma caracterização da região, deixando alguns dados que inspiram máxima atenção. Na área das pessoas portadoras de deficiência, por exemplo, a região “tem uma ínfima cobertura” de rede social, o que constitui, vincou a concluir, “um dos maiores dramas”.

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