Nuno Canta faz balanço “quase histórico” e admite recandidatar-se

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O autarca mostrou no terreno os investimentos em curso, lembrou a “boa gestão financeira” e arrasou a oposição. De permeio piscou o olho ao eleitorado. Área verde de meio hectare vai nascer na zona da antiga estação da REFER

Apesar de sublinhar que a decisão compete à estrutura socialista, Nuno Canta admite estar “disponível” para se recandidatar à presidência da Câmara Municipal do Montijo e até lança a escada ao eleitorado, ao dizer que precisa de “mais um mandato” para concluir a reconversão urbana projectada para o Bairro da Calçada.

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A reconversão a que o autarca se referia engloba a construção habitacional a custos controlados no espaço da antiga fábrica do Izidoro – recentemente adquirida pelo município por cerca de 298 mil euros e avaliada em mais de um milhão, onde “grosso modo dá para fazer cerca de 60 habitações de várias tipologias”, avançou – e a requalificação da zona da também antiga estação dos caminhos de ferro, da REFER, onde será criada “uma área verde com cerca de meio hectare”. O protocolo com a REFER “está a ser preparado e deverá ir a reunião de câmara brevemente”, disse o socialista durante uma visita que promoveu, na última terça-feira, a alguns dos mais importantes investimentos que o município tem em marcha, para fazer um balanço da primeira metade deste mandato à Comunicação Social.

Um balanço “extremamente positivo” e “quase histórico”, que reflecte “o bom governo da cidade”, considerou, reforçando: “Tudo o que vimos hoje [terça-feira] é notável e estratégico para a cidade. Temos uma gestão de contas certas, com diminuição de impostos, da dívida da Câmara, do prazo médio de pagamentos a fornecedores, que continuamos a fazer com resultados melhores. Temos boa gestão financeira porque há boas e acertadas políticas no Montijo. São as marcas fundamentais no nosso mandato.”

Ao mesmo tempo, Nuno Canta lembrou os ataques “de algumas oposições”, marcados, vincou, “por várias falsidades”, recusando-se a avaliar a actuação dos opositores. “Como avalio a oposição da CDU e do PSD de 1 a 10? Nem dá para avaliar, porque as oposições tornaram-se redundantes, não têm projectos, não apresentam nada com valia para a cidade. Como se avalia uma coisa destas?”, disparou.

Investimentos em curso

O périplo – que contou com a participação dos vereadores socialistas, dos presidentes de junta de Montijo/Afonsoeiro e Sarilhos Grandes e do tesoureiro da Junta de Atalaia/Alto Estanqueiro-Jardia – iniciou-se nos Paços do Concelho com a observação ao local onde decorrem os trabalhos para instalação de um elevador “todo em vidro”, que garanta o acesso de munícipes com mobilidade reduzida ao edifício. Uma obra orçada em 143 mil euros e que deverá estar pronta “no final do ano”. O edifício da Galeria Municipal também será dotado de equipamento idêntico, mas que “carece de projecto mais elaborado, a concluir talvez nos próximos dois anos”, lembrou o presidente da autarquia.

Seguiu-se uma deslocação à obra da ciclovia que vai ligar a antiga estação da REFER à ciclovia do Pinhal Novo (recentemente inaugurada). Orçada em 726 mil euros e comparticipada em 363 mil ao abrigo do FEDER, a empreitada numa extensão de “cerca de sete quilómetros” é para estar concretizada no início de Março de 2020. Vai ter interligação às ciclovias já existentes, “tal como outra que será construída na zona ribeirinha e que integrará a rede ciclável com ligação ao aeroporto”.

A comitiva de autarcas e jornalistas visitou depois a obra do Jardim das Nascentes junto ao local onde será construída a Casa da Música Jorge Peixinho. A zona verde engloba 3,7 hectares, representa um investimento de 1,2 milhões de euros, comparticipado a 50% pelo FEDER, e tem conclusão anunciada para Março do próximo ano. Já a Casa da Música teve aprovada na última reunião de câmara a abertura do concurso público para execução da empreitada pelo valor de 991 mil euros.

O antigo armazém da SANFER foi a próxima paragem. O espaço foi adquirido por 27 mil e 635 euros e, numa primeira fase, irá albergar “alguns serviços municipais, como serralharia e até a parte de carpintaria, se for possível”.

Seguiu-se a visita à antiga estação da REFER, que irá ser “recuperada como espaço cultural, para que vários artistas possam mostrar as criações”.

A deslocação à antiga fábrica do Izidoro – que, segundo o socialista, “foi a segunda maior da Europa na transformação de carnes e que também teve a maior fábrica de azeite do País, montada por uma empresa de Sevilha, chegando a processar 10 toneladas de azeitonas por dia” – fechou o périplo pelos investimentos.

 

AEROPORTO

Ministros Pedros “têm a mesma capacidade de trabalho

Nuno Canta desdramatizou as recentes declarações de José Luís Arnaut, chairman da ANA Aeroportos, que acusou o ex-ministro das Infra-estruturas, Pedro Marques, de só ter empatado o avanço da construção do aeroporto no Montijo, ao contrário do sucessor, Pedro Nuno Santos, que “em três meses recuperou três anos perdidos”.

“Não encontrei grandes diferenças entre um [Pedro Marques] e outro [Pedro Nuno Santos]. Tivemos grande receptividade de ambos e respostas sempre coerentes. Pedro Marques teve a decisão da localização e do financiamento e, agora, Pedro Nuno Santos decidiu a questão ambiental. Foi a mesma capacidade de trabalho”, defendeu o autarca, acrescentando a concluir: “Da ANA percebo que queria uma decisão mais rápida, mas à luz da lei portuguesa isso não era possível. Foram dados os passos obrigatórios e necessários.”

 

FOTOS ARSÉNIO FRANCO

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