Simarsul nega descargas contaminantes no Rio Judeu

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Nas redes sociais, um vídeo retracta camiões da Simarsul a realizar possíveis descargas ilegais de esgotos. Situação não será única

 

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Uma avaria na Estação Elevatória do Porto da Raposa, no concelho do Seixal, levou a alegadas descargas ilegais por parte da Simarsul – Saneamento da Península de Setúbal SA, num afluente do Tejo: o rio Judeu.

Após a divulgação de vídeos nas redes sociais a empresa defende-se com uma “actuação correcta” e acusa os munícipes de má utilização da rede de esgotos. Por outro lado, a Câmara Municipal do Seixal levanta aponta, sem dúvidas, um “crime ambiental”.

Em declarações a O SETUBALENSE a empresa pública do Estado, Simarsul, afirma que não foi cometido qualquer crime ambiental e que os resíduos foram geridos correctamente.

“As descargas realizadas ocorreram no âmbito de uma avaria técnica”, contexto em que a empresa accionou “todos os procedimentos de actuação previstos nos seus planos de exploração e que constam deste tipo de instalações no país”, avança a administração em comunicado.

Perante a confirmação de avaria a Simarsul garante ainda que, foram prontamente desenvolvidos esforços para repor o normal funcionamento da estação, “tendo sido identificada a referida anomalia e reportada às entidades oficiais, nomeadamente à ARH [Administração da Região Hidrográfica] Tejo e Oeste e à Câmara Municipal do Seixal”.

Como causa da avaria a Simarsul aponta “afluências de materiais impróprios às redes de esgotos”. Sendo estes materiais decorrentes de uma “utilização incorrecta por parte dos utilizadores”, o que levou a empresa a “activar a descarga de emergência que protege a infraestrutura de situações anómalas”.

Quanto ao modo como o problema foi resolvido a justificação também é apresentada pela empresa e, ao que indica, está relacionada com a necessidade de uma intervenção rápida. “Para redução do tempo de intervenção e minimização dos impactos ambientais decorreram diversas intervenções de desobstrução e limpeza com recurso a viaturas hidroaspiradoras”. Sendo estas as viaturas identificadas em vídeo, por munícipes, a retirar os detritos, ao mesmo tempo que as mangueiras, colocadas no caudal do rio Judeu estão, alegadamente, a realizar descargas.

 

Câmara aponta atentado ambiental

 

Esta ocorrência levou o presidente da Câmara Municipal do Seixal, Joaquim Santos, a exigir justificações à Simarsul. “Considerando os elementos insatisfatórios”, a autarquia confirma que, já efectuou uma denuncia de “atentado ambiental à IGAMAOT [Inspecção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território]”.

Uma denúncia realizada tendo em conta o caso actual e outras ocorrências que, alegadamente têm sido repetidas e, inclusive, levadas a debate em sessões de Câmara pelos vereadores da CDU e PS.

Para Joaquim Santos, a actuação da Simarsul representa uma situação inadmissível que “não pode acontecer quando a autarquia paga anualmente cerca de 6 milhões de euros para o tratamento de esgotos a esta empresa, para levar a cabo o trabalho de tratamento das águas residuais e não pode aceitar, como se tem vindo a registar, a descarga indevida e sem tratamento, na Baía do Seixal ou noutra qualquer linha de água do concelho”.

 

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