Jerónimo de Sousa diz que maioria absoluta do PS seria caminho para instabilidade

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O secretário-geral do PCP esteve no Seixal onde prestou contas da actividade do partido e delineou acções a curto prazo. A educação e saúde estiveram na primeira linha das críticas ao Governo

 

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“É necessário que fique claro que a não obtenção pelo PS da maioria absoluta não é, como alguns querem fazer crer, por si só condição suficiente para avançar na solução dos problemas do País”, declarou Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, durante um comício realizado na tarde de sábado nos Bombeiros do Seixal.

Perante uma sala cheia e num ambiente de franco entusiasmo partidário, o dirigente comunista vincou que, “ao contrário do que por aí muito se afirma, se tivesse sido a maioria absoluta uma realidade, ela seria não um factor de estabilidade, mas sim instabilidade para a vida, direitos e rendimentos do povo português.

Depois de enumerar as aéreas em que as reivindicações dos trabalhadores progrediram, na última legislatura, Jerónimo arrolou algumas iniciativas já tomadas ou a tomar a curto prazo pelo Partido a âmbito legislativo. Assim, o grupo parlamentar do PCP avançou, em sede parlamentar, com uma proposta visando a “revogação das taxas moderadoras na Saúde” e uma outra apontada à “gratuitidade das creches para todas as crianças até aos 3 anos”,

Outra iniciativa legislativa dos comunistas atende à “criação de um regime de impenhorabilidade da habitação e de restrições à penhora e à execução da hipoteca”. Também no quadro do apoio às artes e à cultura o PCP se movimentou para formular uma “proposta com vista à tomada de medidas imediatas para que todas as candidaturas consideradas elegíveis nos resultados do Programa de Apoio Sustentado às Artes obtenham o apoio a que têm direito”.

A saúde e educação foram duas das áreas focadas por Jerónimo de Sousa onde classifica a gestão do Governo como claramente insatisfatória. Aqui considera existir um “subfinanciamento crónico do Serviço Nacional de Saúde e a parasitação dos dinheiros públicos pelos grupos privados têm conduzido à degradação dos serviços”. Sem esquecer os últimos encerramentos urgência de pediatria do Hospital Garcia de Orta em Almada, o líder comunista apontou que a carência de médicos leva a que “mais de 600 mil portugueses continuem sem médico de família, como se verifica nos agrupamentos de centros de saúde dos concelhos do Seixal e Almada, em que mais de 30 mi utentes não o têm”.

No que respeita à educação, afirma “os factos desmentem a afirmação do Governo de que o início do ano lectivo se caracteriza pela normalidade”. A questão, prossegue Jerónimo, é que faltam “milhares de auxiliares de acção educativa e muitas centenas de horários por ‘oferta de escola’ continuam por preencher e muitos alunos continuam sem aulas a algumas disciplinas.

Avançamos e avançaremos

A participar no comício, Antónia Lopes, responsável pela Concelhia do Seixal do PCP, depois de referir que o PCP na recente campanha eleitoral foi alvo de “ataques sem precedentes”, voltou-se para a necessidade de reivindicar “mais barcos, mais, autocarros, mais comboios, mais carreiras e parques de estacionamento gratuitos”, sem esquecer o hospital do Seixal e os centros de saúde. E, como o partido não pode andar para trás, tem de continuar a lutar “contra o encerramento das estações de correios e das urgências pediátricas do Garcia Orta”, pela “admissão de médicos e outros profissionais em falta para o seu funcionamento”, disse.

 

Por José Augusto

Foto: Nélson Figueira

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