PCP não aceita interdição da pesca da sardinha

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A partir do Porto de Sesimbra, a tripulação prepara-se para sair para mais uma noite no mar.

Tanto pescadores como alguns técnicos têm defendido que a biomassa de sardinha está a níveis elevados, pelo que não faz sentido a interdição de pesca. Agora é o PCP a dizer o mesmo e, ao mesmo tempo que acusa a gestão socialista, chama os pescadores para a luta

 

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A pesca de sardinha está interditada desde 12 de Outubro, e o PCP aponta o dedo ao Governo acusando-o de ter tomado uma decisão de “submissão às imposições da União Europeia e a uma Política Comum de Pesca, contrária aos interesses nacionais”. Por isso desafia os pescadores a juntarem-se ao partido “em defesa da pequena Pesca em Portugal”.

Dizem os comunistas que o executivo socialista de António Costa tem vindo a “agravar” os problemas da Pesca Costeira, que vive com “dificuldade”. Entretanto veio acrescentar mais dificuldades às gentes do mar. A única explicação que encontram para estas restrições “violentas” à pesca desde 2015 é “subserviência” à União Europeia.

“A gestão da pesca da sardinha, que tem sido imposta pelo Governo do PS, não tendo em conta a necessária sustentabilidade social e económica do sector e das comunidades piscatórias, tem sido feita com base em pressupostos errados, que terão obrigatoriamente que ser avaliados e modificados”, dizem os comunistas em comunicado da Direcção da Organização Regional de Setúbal (DORS).

O PCP, que se diz sustentado em dados da comunidade científica, explica que nos últimos três anos a biomassa total “terá passado das 180 mil toneladas em 2018 para as 223 mil toneladas em 2019”, portanto o recurso da sardinha “tem recuperado, em cada ano em relação ao ano anterior, tanto na biomassa total como no recrutamento de juvenis”.

E a isto acrescenta que a realidade actual “é que a sardinha abunda na nossa costa, em quantidade e qualidade, podendo afirmar-se que se poderia, já neste ano de 2019, pescar mais do que as quantidades que foram permitidas, sem se pôr em causa a sustentabilidade futura do recurso”.

 

PCP acusa o Governo de manobra para enganar os pescadores

 

Pelas contas comunistas, a manobra do Governo em aumentar as possibilidades de pesca para 2019, em mais 1 800 toneladas do que inicialmente previsto, permitindo dessa forma a captura para Portugal de 9 mil toneladas, foi “uma manobra eleitoralista de quem tira o pão e dá umas pequenas migalhas”.

Com base nos estudos realizados seria “perfeitamente sustentável uma captura de 20 mil toneladas para 2019, mas o Governo decidiu lesar durante 6 meses os armadores e pescadores da pesca do cerco, que irão ver os seus rendimentos bastante reduzidos, uma vez que outras espécies, como o carapau e a cavala, continuam com valores muito baixos, tornando desta forma a pesca do cerco insustentável”.

Lembra a DORS que na anterior legislatura “impôs ao Governo PS importantes avanços no sector da pesca, como foi o caso do apoio à gasolina para a pequena pesca, que passou a ser definitivo, continuará com a sua acção em defesa do sector”. Uma luta que os comunistas afirmam continuar através da intervenção dos seus deputados na Assembleia da República e no Parlamento Europeu, e também através de formas de luta onde os pescadores possam intervir”.

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