IPS planeia construção de novos currículos em 2020

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Abertura. Cooperação. Interdisciplinaridade. Palavras-chave do novo futuro do Instituto Politécnico de Setúbal

 

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O 2º “Congresso Politécnico de Setúbal – 40 Anos a Construir o Futuro” foi ponto de aprofundamento sobre aquilo que o politécnico quer fazer no futuro.

Entre as apostas do Instituto Politécnico de Setúbal (IPS) no futuro está a necessidade de ter cada vez menos “muros e construir cada vez mais projectos em conjunto”, tal como o professor António Sampaio da Nóvoa, embaixador de Portugal na Unesco, referiu durante o painel “Contributo da Educação para o Desenvolvimento da Sociedade”.

Metas que, segundo Pedro Dominguinhos, presidente do Instituto Politécnico de Setúbal, “implicam mudar na forma como estamos a construir projectos de investigação, de forma colaborativa entre instituições”.

Outra meta que Dominguinhos quer colocar na bandeira do IPS, para o futuro próximo é a da integração e expansão da representação internacional, através de mais alunos estrangeiros “e da forma como estes alunos são recebidos e integrados na dinâmica do IPS”, desde o currículo à investigação. “A começar pelo facto de oferecermos duas ou três disciplinas em inglês e depois deixá-los sem integração. Algo que precisamos mudar”.

Uma mudança que deve começar pela forma como as unidades curriculares e actividades extra são organizadas. Para Pedro Dominguinhos, esta mudança influirá no posicionamento do IPS para o futuro.

 

Soluções curriculares e internacionalizar o IPS

 

Pedro Dominguinhos defende o plano de, ao longo deste ano lectivo 2019/2020, apostar na construção de novos modelos de currículo. Modelos inovadores que serão construídos a parti de “uma análise a decorrer ao longo de todo o ano, por uma equipa liderada pelo professor Jorge Pinto”. Tempo que Pedro Dominguinhos considera de “reflexão” e trabalho entre as escolas dos IPS e diferentes áreas.

Sobre soluções que também fazem parte do futuro do Politécnico de Setúbal, Pedro Dominguinhos destaca ainda e, sobretudo, a internacionalização. “Para uma plena internacionalização e integração dos estudantes estrangeiros, o professor deixa possibilidades em aberto: “ Ter todas as aulas em inglês? Ou apenas 2 a 3 disciplinas? O que fará os alunos integrarem melhor o seu currículo e sentirem-se pertença? ”. Questões em estudo este ano lectivo, “adaptadas às características de cada curso”, promete.

 

O futuro sem muros

 

Em 2019/2020 o politécnico estará ainda focado em candidaturas para financiamento de projectos de investigação, cujo total, para já, permitirá trazer através de diferentes projectos mais de 13 milhões de euros à investigação, ao longo dos próximos quatro anos.

Um contexto no qual o IPS apostará no envolvimento de empresas da região na concepção e conclusão destes projectos, de modo a dar continuidade à proximidade da instituição à comunidade envolvente, tal como tem sido a chave da sua existência até ao momento. De resto, uma característica também defendida por Maria das Dores Meira, presidente da Câmara Municipal de Setúbal, a 3 de Outubro, aquando da abertura do congresso.

Meta que Pedro Dominguinhos acredita ser possível através da aposta na interdisciplinaridade. “Esse será o segredo e solução para o futuro próximo, com a queda dos muros entre escolas”.

Entre as novas apostas do Instituto Politécnico de Setúbal estará também a contratação de mais professores doutorados. “Anos para nos renovarmos e trabalharmos em conjunto entre escolas e áreas científicas”.

 

 

Sampaio da Nóvoa defende “metamorfose da escola”

António Sampaio da Nóvoa, embaixador de Portugal na UNESCO, destacou no Instituto Politécnico de Setúbal (IPS), a ideia de uma “metamorfose da escola”, a começar por um “novo ambiente educativo” em que se valorize “a cooperação, o aprender a pensar, o acompanhamento personalizado”.

No 2º “Congresso Politécnico de Setúbal, durante a conferência “Contributo da educação para o desenvolvimento da sociedade”, o também reitor honorário da Universidade de Lisboa reflectiu sobre as instituições de ensino superior enquanto agentes de desenvolvimento das regiões.

“Precisamos de uma escola que seja como uma espécie de grande biblioteca”, ilustrou, defendendo a educação enquanto instituição e não como “um serviço que se presta ou um consumo”, como parecem antever os estudiosos do cérebro, do digital e da inteligência artificial.

O professor catedrático lembrou ainda que esta realidade já está em marcha em várias partes do mundo, nomeadamente na Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard, “onde se aboliram as aulas e as disciplinas e professores e estudantes estão a estudar e a trabalhar uns com os outros”.

E esclareceu que não se trata de uma mudança de paradigma, mas antes de “uma evolução a partir do que já existe”, ao reconhecer as virtudes do modelo escolar que temos conhecido nos últimos 150 anos, mas também a necessidade de este ser “repensado”, porque “esta escola já não funciona no século XXI”.

 

Fotografia Alex Gaspar

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