Novo aeroporto promete desenvolvimento mas não escapa à polémica

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O novo aeroporto do Montijo e a ampliação do porto de Sines são dois grandes investimentos que prometem reforçar a dinâmica económica do distrito de Setúbal, mas a nova infraestrutura aeroportuária está longe de ser consensual.

Num distrito que conta já com duas das maiores exportadoras nacionais (Navigator e Autoeuropa), as obras de ampliação do terminal XXI do porto de Sines e a construção do novo terminal Vasco da Gama não parecem suscitar polémica.

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Porém, a construção do novo aeroporto no Montijo (um investimento global superior a 1.700 milhões de euros) tem sido muito contestada por ambientalistas e alguns autarcas, que defendem a sua localização no campo de tiro de Alcochete (pertencente aos municípios de Benavente e Montijo).

A favor do novo aeroporto na Base Aérea N.º6 do Montijo está o presidente deste município, Nuno Canta (PS), convicto de que se trata de um “grande investimento que irá fixar mais e melhor emprego na margem sul do Tejo, atrair novas empresas e até reduzir o fluxo de automóveis que circulam nas pontes 25 de Abril e Vasco da Gama”.

“Se fixarmos emprego a sul, a península de Setúbal fica menos dependente do emprego a norte”, justifica o autarca, lembrando que o arco ribeirinho sul tem de ser reforçado com “um túnel entre Barreiro e Montijo – que, embora mais caro do que uma ponte, é melhor em termos aeronáuticos, ambientais e paisagísticos – e uma ligação entre Barreiro e Seixal através do rio Coina”.

Contra o novo aeroporto estão várias associações ambientalistas que reclamam um estudo comparativo entre as opções Montijo e campo de tiro de Alcochete, e alegam que a solução Portela + Montijo poderá ficar esgotada rapidamente. Além disso, alertam para o perigo de acidentes aéreos devido à proximidade de milhares de aves na Reserva Natural do Estuário do Tejo.

O Estudo de Impacto Ambiental, em consulta pública até 19 de setembro, apontou diversas ameaças para a avifauna e efeitos negativos sobre a saúde da população por causa do ruído.

A Plataforma Cívica BA6 – Montijo Não lembra que, a par das questões de segurança, o ruído poderá afetar cerca de 35.000/40.000 residentes na zona do cone de aproximação, nos concelhos da Moita e do Barreiro.

“Se a escolha fosse Alcochete, de acordo com os estudos já realizados, seriam afetadas apenas 400 pessoas, pelo que seria um problema muito mais fácil de resolver”, diz à agência Lusa José Encarnação, membro da Plataforma.

O representante sublinha que a opção pelo campo de tiro de não é mais cara e teria uma longevidade muito maior.

“O novo aeroporto do Montijo é uma solução aberrante para o país. De acordo com os estudos de evolução do tráfego aéreo da Airbus e da Eurocontrol, a solução Portela + Montijo deverá estar completamente esgotada em 2035. É uma solução que só interessa, por questões económicas, à Vinci, a empresa francesa que comprou a ANA, Aeroportos e Navegação Aérea”, acrescenta.

A Associação de Municípios da Região de Setúbal, que representa nove autarquias, não deverá tomar uma posição oficial, pois seria difícil chegar a um consenso: dois municípios de maioria socialista, Barreiro e Montijo, já se pronunciaram a favor do aeroporto no Montijo e existe a expectativa de que os de Alcochete e Almada, também liderados pelo PS, façam o mesmo. Do outro lado, estão as câmaras comunistas, críticas da obra.

“Não faria sentido forçar uma decisão por 5-4, que seria uma posição fraturada. E a AMRS tem uma vocação de contribuir para a unidade e não para aprofundar fraturas”, justificou o presidente, Rui Garcia.

Já no sul do distrito, no litoral alentejano, é no porto se Sines que se focam as atenções quanto a obras – a expansão do terminal XXI e do novo terminal de contentores representam um investimento global de 1,2 mil milhões de euros, sendo o financiamento público de apenas 100 milhões de euros.

É também com o objetivo de tirar partido destes grandes investimentos que as câmaras do distrito de Setúbal integradas na Associação de Municípios do Litoral Alentejano – Alcácer do Sal, Grândola, Santiago do Cacém e Sines – estão entre cerca de 40 entidades subscritoras da “Estratégia Integrada de Desenvolvimento Territorial do Alentejo Litoral”, que perspetiva vários investimentos para a região.

Segundo o presidente da associação, Vítor Proença, há a perspetiva de investimentos nas áreas da energia, turismo, indústria, agrícola e agroalimentar, com um valor global superior a 1.200 milhões de euros e a criação de cerca de 1.000 postos de trabalho.

De acordo com o presidente da Comunidade Portuária de Sines, a expansão do terminal XXI vai permitir a atracação simultânea de quatro navios porta-contentores de última geração e a criação de 900 postos de trabalho.

Jorge d´Almeida referiu que a capacidade de transbordo a partir de grandes navios para navios mais pequenos, com destino a países do Mediterrâneo e da Europa Central, representa uma mais-valia para o porto de Sines e sublinhou a importância de um outro investimento, de “centenas de milhões de euros”, na instalação de um parque logístico na Zona de Atividade Logística de Sines, gerida pela agência AICEP: “Vai complementar os dois terminais portuários e atrair ainda mais cargas”.

Lusa

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