Alcochete diz sim ao aeroporto mas quer hospital do Montijo reactivado

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Fernando Pinto, presidente da autarquia, considera fundamental o reforço de meios técnicos e humanos no hospital e nas unidades de saúde familiar de Samouco e Alcochete. O autarca defende a construção de um novo centro escolar e sugere que seja retomado o transporte fluvial a ligar a vila ribeirinha a Lisboa

 

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A Câmara Municipal de Alcochete já enviou à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) um parecer favorável, mas condicionado, referente ao projecto do aeroporto do Montijo e respectivas acessibilidades. O documento foi aprovado com votos a favor de PS, CDS e PSD (a CDU votou contra), em reunião extraordinária do executivo, realizada na passada terça-feira, e remetido no mesmo dia à APA.

Fernando Pinto, presidente da autarquia, elencou um conjunto de investimentos que o município entende como fundamentais no âmbito da instalação da infra-estrutura aeroportuária na Base Aérea n.º 6. O reforço de meios técnicos e humanos nas unidades de saúde familiar nas freguesias de Samouco e Alcochete, bem como a reactivação de todas as valências que existiam no hospital do Montijo, são necessidades apontadas pelo autarca na área da saúde.

“Considerando o crescimento da população e tendo em conta que a unidade hospitalar mais próxima se situa no Barreiro, entendemos que devem ser reforçados, quer no capítulo técnico quer dos recursos humanos, as unidades de saúde de Samouco e de Alcochete e, pelo mesmo motivo, entendemos também ser necessário proceder à reactivação de todas as valências retiradas do hospital do Montijo, com o respectivo reforço das equipas médicas e de enfermagem. Considera-se também relevante, quiçá, a construção de um novo centro hospitalar Alcochete/Montijo”, defende o presidente da Câmara, citado numa nota de Imprensa da autarquia.

Igualmente fundamental, de acordo com o socialista, é a construção de “um novo centro escolar que acolha crianças e jovens do pré-escolar ao ensino secundário”, sendo que no que concerne à mobilidade “é prioritário reforçar os meios de transporte terrestres e, quiçá, recuperar o transporte fluvial que ligue Alcochete a Lisboa”.
Fernando Pinto defende também mais meios técnicos e humanos para o posto da GNR de Alcochete e para a corporação dos Bombeiros Voluntários de Alcochete.

Impactes negativos podem ser ultrapassados

O autarca lembrou que o parecer emitido – favorável e condicionado – teve por base o caderno de encargos que o município alcochetano remeteu “em devido tempo” ao então ministro do Planeamento e das Infra-estruturas, Pedro Marques, e posteriormente “com o contributo de todos os partidos representados na Câmara” ao secretário de Estado Adjunto e das Comunicações.

Na reunião de terça-feira, Fernando Pinto não deixou de frisar que o projecto apresenta “impactes indirectos” que são “relevantes”. “São significativos, nomeadamente por via das acessibilidades e nos aglomerados do concelho, designadamente Alcochete, São Francisco e Samouco”, vincou, mostrando contudo expectativa de que os constrangimentos possam ser ultrapassados. “Entendemos que os pressupostos que apresentamos resolverão aquilo que são as nossas preocupações, mas temos outras”, alertou, aludindo às várias áreas que necessitam de investimentos, como a do abastecimento de água.

“Após a análise efectuada consideramos que o projecto do aeroporto do Montijo e respectivas Acessibilidades se apresenta, na generalidade, adequado, salvaguardando que devem ser assegurados os pressupostos que foram entretanto referidos, bem como todos aqueles inerentes à segurança aeronáutica e ao Estudo de Impacte Ambiental em apreço, com especial atenção às questões relativas às rotas migratórias das aves”, concluiu.

No documento enviado à APA, a Câmara Municipal considera, entre outras medidas, que no conjunto de obras a realizar, no âmbito da instalação do aeroporto, “deve ser incluída a construção de uma via exterior ao perímetro urbano da freguesia do Samouco, como previsto no estudo prévio do projecto”, de forma a evitar “o inaceitável atravessamento do espaço consolidado da vila por veículos com origem ou destino no aeroporto”.

Oleoduto é solução que garante maior segurança

A autarquia também considera no documento que “a construção de um oleoduto para abastecimento do novo aeroporto do Montijo constitui uma mais-valia para o projecto”, lembrando que o mesmo é omisso nesse aspecto. “A previsão sobre a possibilidade de circulação de 50 veículos automóveis, diariamente e em direcção a esta nova infra-estrutura aeroportuária, constitui um perigo iminente para toda a população do concelho e concelhos limítrofes”, salienta o município, reforçando a concluir: “Desta forma, a construção de um oleoduto, ou de outra solução similar a definir posteriormente, consubstanciará a solução razoável para minimizar este facto, salvaguardando a segurança de toda a
população quer residente quer visitante.”

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