Uma mudança radical

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Mário Moura –
Médico

Estamos assistindo e, a maioria de nós, participando numa mudança radical da maneira de viver e de ser dos seres humanos. Com as facilidades de comunicação que têm levado ao aparecimento de novas tecnologias que permitem trazer no bolso um pequeno aparelho que me transmite em tempo real a voz e a imagem, vindas de qualquer parte do mundo, trazendo até mim tudo o que se passa por esse mundo fora, com tais facilidades o nosso viver vai sendo transformado. Esta facilidade de transmissão, esta partilha imediata de imagens e de notícias em meia dúzia de palavras, vão mudando não só a maneira de viver mas igualmente a nossa maneira de ser, em especial a juventude que recebe estas inovações com entusiasmo.

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As palavras nas notícias passam a ser o menor número possível fazendo das notícia algo sincopado, aparecendo mesmo novos vocábulos que englobam em si mesmos várias interpretações tornando difícil tirar desses possíveis diálogos pouco mais que o miolo da notícia. Ora isto vai modelando a maneira de se comunicar e vai inevitavelmente encolhendo a riqueza da comunicação entre as pessoas.

As imagens são mostradas com um evidente objetivo de sintetizar a situação sem rendilhados ou pormenores que rodeiam o que se pretende transmitir – são imagens secas, com pouco “sumo”, dando igualmente origem a uma pobreza da capacidade de transmitir acontecimentos que ficam assim à mercê de ulteriores interpretações oportunisticas que ninguém garante a veracidade.

É mais um efeito importante do grande crescimento das tecnologias que têm uma ação inevitável sobre o fator trabalho, sobre a produtividade e sobre muitos problemas sociais.
O que vai ser da literatura e de outas faces da cultura? Grandes transformações notamos já na musica, no teatro ou nas obras de arte, sejam pinturas ou esculturas, cujas interpretações são bem difíceis para o público em geral.

Vieram-me estas considerações à mente ao pensar e ler notícias sobre o esforço que as Igrejas estão fazendo para não perder o interesse da juventude em relação ao ser cristão, ao viver cristãmente. Pelas nossas Dioceses vai-se assistindo a múltiplas organizações para jovens e organizam-se peregrinações de jovens e está em preparação uma grande reunião da juventude católica, em Portugal, para daqui a, salvo erro, dois anos.

A juventude é facilmente mobilizável e víamos as grandes massa de rapazes e raparigas para ouvir o Papa João Paulo II e agora o Papa Francisco – que atraiam e atraem muitos milhares de rapazes e raparigas em aparente delírio.

Não vou pôr essas manifestações maciças em comparação com a escassa frequência nas celebrações dominicais da nossa Igreja que em geral são “uma seca”, mas gostava de ver e sentir que a nossa juventude estava na linha da frente da necessária transformação desta sociedade que, como diz Francisco, mata e cria muros e barreiras onde devia haver pontes. Um milhão de jovens a receber um Papa devia traduzir-se numa Igreja viva, em saída como diz igualmente o nosso atual Papa. A nossa Igreja necessita de atualizar a sua linguagem, de ser vista como uma defensora acérrima dos pobres e dos marginalizados para onde foram centrifugados pela nossa atual maneira de viver.

Nos órgãos de informação das nossa dioceses lemos muita coisa tendo em mente a captação da juventude, mas sem uma apresentação viva da Boa Nova, sem tentarmos situar nos dias de hoje uma doutrinação que seja uma verdadeira imitação de Cristo que nos amou até à morte, não entraremos no “coração” da nossa juventude. Ora os efeitos nefastos das tecnologias com que é difícil não viver hoje em dia que modificam os comportamentos, as maneiras de ser, as reações e os projetos futuros das nossas juventudes, são uma barreira de difícil transposição para atingir, como disse, “o coração” dos nossos jovens. Muito há que mudar e fazer se queremos atrair a juventude para Cristo.

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