«Se não fosse o rock’n’roll/O que seria de mim?»

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Rosa Duarte – Mestre em Estudos Portugueses

Caríssimos, está comprovado que o rock and roll nos faz falta, não é? A música em geral, seja qual for o estilo que mais se aprecie. E está visto que é logo à nascença, agravando-se na puberdade e na adolescência. Ao longo da nossa história, digamos. É que é a nossa 1ª arte. Dar música.

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E no museu da cidade em Almada há uma exposição alusiva ao rock’n’roll que é recomendável, numa perspetiva diacrónica nacional e local. Incompleta, naturalmente. Em certos momentos reprimida, mas nunca completamente. Também com grupos anónimos. Muitos. Não vi lá os «The Boundary». É compreensível, como outras pequenas bandas de garagem almadenses que ficaram por mencionar.

A cantiga é uma arma? Pois é. E há poesia nas palavras que nos beijam, é certo que sim. E quantas vezes nos comovem e nos sacodem! Agora até o fado é mais sociável e chega a contagiar os mais jovens em todo o país. Como diz o poeta: ‘Primeiro estranha-se, depois entranha-se’. Felizmente. Não será o amor à arte que nascemos para alimentar?

Lá, cartazes em gavetas-expositores modernas de calha, amarelentos e noltágicos, anunciando a presença de certas bandas e cantores em longevas associações, escolas, clubes…

Grandes nomes da canção nacional como Fernando Maurício, Fernanda Baptista, em matinés no Feijó, no Laranjeiro, em Almada, no Montijo, em simples folhas brancas A4, escritos à mão.

Era e é a modernidade em cada geração.

Sobre a paternidade do rock’n’roll em Portugal, há sempre alguma coisa a dizer. Ainda antes e depois da primavera de 1974.

É que quando não há estrelas no céu e tudo é feio à volta, toca para as urgências do rock’n’roll. Além-fronteiras da melodia das palavras. Sem muros. Sem passaporte. Silêncio nos preconceitos. Intercontinentalmente falando.

E hoje continuamos fartos de certas consequências como esta poluição asfixiante e verborreica.

Qual? A poluição ambiental agravada, sem dúvida, mas também a poluição mercantilista e economicista. Velhos problemas a deambular por aí. Uns mais dissimulados que outros. Como esse da escravatura humana, em pleno séc.XXI, que diz que é mais rentável que nunca. E nós, portugas, de brandos costumes, que fomos dos primeiros a acabar com ela, e na calada da noite a apanhar com ela! Não há paciência!

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