PENSAR SETÚBAL: O actual emblema do Vitória Futebol Clube

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Giovanni Licciardello - Professor
Giovanni Licciardello – Professor

 

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Na semana anterior, tinha procurado analisar a evolução do emblema do Vitória ao longo dos sucessivos anos.

Hoje vamos centrar a nossa atenção no emblema actual, que aparentemente se assemelha muito ao anterior. Todavia, de acordo com o Departamento de Marketing do Vitória, responsável pelas modificações, na pessoa do seu director criativo, Mário Forte Faria, existem várias diferenças, a saber:

 

 

1 – Redução do número de raios da roda da bicicleta;
2 – Resolução de problemas de simetrias, nomeadamente nos Castelos;
3 – Simplificação e equilíbrio de formas e espessuras;
4 – Recuperação do desenho original da bola no escudo;
5 – Redução de 4 para 3 tons, com o sistema de cores Pantone – simplificando também em termos de cores e reduzindo custos na reprodução do emblema (por exemplo, em impressão offset e bordados).
6 – Tonalidades com mais impacto;
7 – Saíram os pontos na sigla VFC, no centro, por opção estética
8 – Correcção da data da fundação (conforme os Estatutos).

Comparando os dois emblemas, verifica-se que o actual está mais bem conseguido. Sem subverter a coerência, parece-me sinceramente melhor.

De todas as modificações efectuadas, existe uma que é do meu particular agrado; a data da fundação.

Neste aspecto, temos de procurar explicar o motivo pelo qual tem surgido sempre o número 910 e não o 1910.

Os fundadores do Vitória atravessaram um pouco do século XIX, sempre escrevendo como algarismo dos milhares, o algarismo um. Como algarismo das centenas, o algarismo oito (ex: 1820, 1890).

Com a mudança de século, a grande alteração percepcionada pelas pessoas, foi centrada particularmente no algarismo das centenas. Ou seja, deu-se especial atenção e consequente ênfase ao nove, o novo algarismo das centenas, em detrimento do algarismo dos milhares, sempre o “eterno“ um.

Em muitos documentos oficiais e em monumentos, surge 901, 910, 920, 930, 940, etc. Por exemplo, na Associação dos Socorros Mútuos, surge uma lápide comemorativa onde está escrita a data de…955.

A partir do fim dos anos 50 do século XX, esse hábito foi-se progressivamente esbatendo e as datas foram surgindo cada vez mais frequentemente já com a adição do algarismo dos milhares, o um.

Na minha escola primária, nos anos 60, esse problema já não se colocava.

Um dia detectei a “anomalia” e como era miúdo, logo possuidor de um entendimento literal das situações, perguntei ao meu Pai se a data de fundação do nosso Vitória (910) era anterior ao Condado Portucalense, a D. Afonso Henriques e à fundação do Reino de Portugal (1147).

Meu Pai riu-se a bom rir, recordo uma sonoríssima gargalhada e pela primeira vez alguém me deu a explicação que eu estou a procurar agora fornecer ao caro leitor, em geral e aos nossos caros amigos vitorianos, em particular.

Quando se escrevia 910 era uma forma abreviada de se escrever 1910, no primeiro quartel do século XX.

Finalmente, a data de fundação do nosso Vitória Futebol Clube, está correcta e, sobretudo, actual.

Finalmente uma palavra de muito apreço ao Departamento de Marketing, em geral e ao Mário Forte Faria, em particular.

Caro amigo, os Grandes Vitorianos, aqueles que vibram e que sentem o Vitória, como nós sentimos, detectam-se também pelos pormenores, pelos detalhes que assumem uma transcendência, um significado e uma importância reais, constituindo, mais do que uma mera clarificação, ou correcção, um legado vitoriano.

Os símbolos são de importância extrema e também é por aí que vamos construindo a nossa identidade.

Muito Obrigado.

VIVA O VITÓRIA

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