O Serviço Nacional de Saúde: “No princípio era a verba!”

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Mário Moura - Médico
Mário Moura –
Médico

 

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Já tenho falado nesta coluna, várias vezes, do nosso SNS uma das maiores conquista da nossa  democracia.   E na realidade ele é essencial para o bem estar dos portugueses, o que faz com que todos os partidos, sejam da direita ou da esquerda façam comentários, uns apontando os reais benefícios, outros falam das suas carências e defeitos.

Na ordem do dia tem estado o problema das PPP, isto é da gestão pública de hospitais do Estado.   Representantes dos médicos, dos enfermeiros ou doutras profissões necessárias a um funcionamento completo e a uma assistência capaz dão as suas opiniões, as mais variadas, ÁS VEZES IMPRGNADAS POR IDEOLOGIAS POLÍTICAS QUE NESTE MOMENTO EU PONHO DE LADO.  Como os meus leitores sabem eu sou médico e trabalhei muitos anos no nosso SNS. Mas hoje apetece-me falar como um leigo nas matérias, isto é, como um cidadão comum e como pertencendo a um qualquer estrato menos evoluído da nossa sociedade.   E na verdade ouço na televisão ou leio nos jornais uma multidão de opiniões que sei e considero inapropriadas, mas que soam no meu espírito com alguma intensidade – vejamos:   Dirigentes de hospitais dizem que há anos que não adquirem novos aparelhos de diagnóstico, ou mesmo que não têm verba para reparar alguns que estão avariados  e postos de lado por inoperacionais. É quase geral a afirmação de que muitos hospitais ou mesmo centros de saúde têm falta de pessoal especializado ou ainda mais de pessoal auxiliar, igualmente por não terem verba.   È do domínio comum que nas urgências sobrecarregadas se acumulam doentes em macas por não haver camas para os deitar. E as quedas não são assim tão raras, algumas com consequência graves.  Queixam-se os bombeiros que têm de esperar muito tempo que os doentes que transportam passem para outra maca por estas estarem em falta, perturbando o seu trabalho de assistência.   Temos ainda uns milhares de portugueses sem médico de família, temos centros de saúde dum modelo primitivo que esperam há muito tempo para serem passados para o modelo mais eficiente em organização …..sempre por falta de verba ou por falta de visto do verdadeiro ministro da saúde que é o ministro das finanças..   Não podemos esquecer que a pletora de pacientes nas urgências e que não são urgentes, lá vão por falta de assistência nos cuidados de saúde primários onde se devia fazer um investimento precioso com mais meios, mais horas de abertura e mais meios de diagnóstico – não se compreende porque razão num centro de saúde se não podem fazer umas análises, um ECG ou uma eco grafia evitando a despesa a pagar ao privado e com a inevitável perca de tempo.

E , como sou neste momento um cidadão pouco informado e pouco letrado , não compreendo como o nosso Estado gasta milhões de milhões na recuperação de bancos, ainda por cima entidades que emprestam – ou têm emprestado – milhões sem as devidas garantias vindo o ónus dessas decisões a cair nos impostos do cidadão comum como sou eu neste momento. E por ser pouco letrado não compreendo o afã dos nossos governantes , tão preocupados com os deficits ou com a “saúde” dos bancos prejudicando a verdadeira saúde da maioria dos seus cidadãos  – os que votam e os põem nos lugares de mando!

É difícil para muita gente entender isto ! e esta realidade sobrepõe-se ao problema das PPP, embora eu também me parece inapropriados o Estado construir um hospital, apetrecha-lo e entregar a sua gestão a um privado cujo objetivo é o lucro!

E por aqui me fico!

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