Emergência climática ou emergência ambiental?

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Manuel Henrique Figueira – Munícipe de Palmela

 

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Fala-se muito em alterações climáticas, menos em emergência climática como crise aguda delas resultante. E as próprias alterações climáticas são parte de uma guerra cultural: uns acham que são apenas fruto da acção humana; outros rejeitam que dela resultem; terceiros aceitam a acção humana mas consideram também a história do planeta, que ao longo de milénios teve mudanças climáticas. Não há muito tempo, Portugal teve temperaturas semelhantes às de 1931, portanto, já houve fenómenos climatéricos raros.

Mas a dimensão das alterações climáticas é tal, que não há memória vivida destas temperaturas fora de tempo, tempestades e tornados em zonas não habituais, ou degelo de vastas zonas como hoje.

Segundo alguns especialistas, as alterações climáticas são uma realidade que veio para ficar, pelo que há projectos em curso de adaptação para se viver com elas da melhor forma possível.

Mas os problemas ambientais da Humanidade são mais vastos e constituem uma verdadeira emergência ambiental, que engloba: alterações climáticas; poluição do ar das cidades; poluição dos rios e do mar com plásticos; poluição do solo com plásticos (menos falada, porque mais disfarçada); poluição dos solos, lençóis freáticos, riachos, rios e mares com químicos da produção agrícola intensiva, da indústria e do uso doméstico.

E a resposta à emergência ambiental cabe a todos: poderes públicos (ao mais alto nível); instituições públicas e privadas; empresas; universidades (o papel da ciência é insubstituível); autarquias, cidadãos individualmente. Não vale a pena passar responsabilidades de uns para outros.

A emergência ambiental todos afecta, pois somos seus prisioneiros, beneficiários e vítimas: prisioneiros, porque, por mais conscientes que sejamos, não encontramos meio fácil de a resolver; beneficiários, porque usufruímos do que a sociedade produz, a origina e alimenta; vítimas, porque sofremos os seus efeitos nefastos.

Se todos temos responsabilidades na emergência ambiental que se vive, todos devemos agir: Poderes públicos, traçando políticas eficazes que a combatam; Instituições públicas e privadas, adoptando práticas sustentáveis e colaborando na sua difusão pública; Empresas, adoptando práticas, processos tecnológicos e criando produtos que a combatam; Universidades, criando tecnologias e produtos para substituir os que a geram; Autarquias, na mobilidade, criando redes funcionais de ecovias e desbloqueando as redes viárias para reduzir percursos, e nos serviços prestados aos munícipes (água, saneamento, etc.), racionalizá-los e melhorá-los; Cidadãos, com práticas diárias fáceis de adoptar e que a evitem (reduzir o uso de plásticos, usar, sempre que possível, o transporte público, separar os resíduos, usar, sempre que possível, a energia solar, etc.) Governos e autarquias, alterando a política de licenciamento das grandes áreas comercias e obrigando-as a quotas de pequenas lojas inseridas no tecido urbano, para evitar os movimentos pendulares. Todos: desmaterializar procedimentos internos e, nos externos, na interacção com os cidadãos; gradualmente, eliminar o uso de papel e de plástico e tornar as frotas de veículos ecológicas. São exemplos do muito a fazer. E não vale a pena a ninguém fingir que o problema não lhe pertence, esperando que os outros o resolvam: o problema é mesmo de todos e é uma emergência ambiental.

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