A seca da água

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Carlos A. Cupeto -Escola de Ciências e Tecnologia
Universidade de Évora

Poupe água, “feche a torneira enquanto lava os dentes”, esta é a mensagem tipo para fazer face à falta de chuva. Haja pachorra! “A seca é tão natural como a sua sede”, é pura verdade. O que não é natural, e é estúpido, é tratar da seca agora, quando o país está em seca há muitos, muitos meses, anos – do mesmo modo que não foi natural “tratar” da floresta quando o país estava a arder. A seca não se resolve agora. Agora é emergência. E, como tal, tem que se agir seriamente. Tem que se dizer, de vez, aos agricultores que a sua atividade, como todas, tem risco, e que têm de ser eles a assumir esse risco. Os eufóricos do turismo, designadamente o Ministério das Finanças,  pelos impostos que cobram, têm de saber que sol agora é mau tempo. Tem que se explicar aos governos locais que a água é um bem escasso e como tal, nesta fase, só para utilizações essenciais. O autarca que plante um metro quadrado de relva deve ser penalizado. Fontes, rega de relvados, lavagens de ruas, lavagens de automóveis etc., têm que ser liminarmente proibidas. Se não chover consideravelmente nas próximas semanas, tem que se dizer aos cidadãos que vai haver limitações ao consumo já, pois cada dia que passa é tarde. Tem que se assumir que vamos ter situações climáticas extremas cada vez mais frequentes e que Portugal é um país perigoso nesta matéria; bem sei que isto não dá jeito a muitos, designadamente à gente do turismo e aos politiqueiros. Esta também é a hora de chamar os ecologistas de meia tigela à razão: se não fossem as barragens, o Tejo, entre outros rios, já estava seco. Também temos que saber todos, e trabalhar agora para minimizar a coisa, que a seguir vamos ter cheias. A maioria das medidas da estratégia nacional de adaptação às alterações climáticas, que depois se refletem nos planos regionais, são ridículas e não servem para nada, tal como o “dia europeu sem automóveis” é uma enorme palermice. Enquanto a água correr nas torneiras, praticamente de borla, a esmagadora maioria vai olhar para o lado.

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