A regeneração da Península de Setúbal

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Caldeira Lucas – Consultor

 

A península, antiga bolsa de emprego do distrito de Setúbal, há muito
deixou de o ser

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A Península de Setúbal, outrora a terceira região mais rica de Portugal, onde o fluxo pendular era predominante no sentido de Lisboa para Setúbal, é hoje a quinta região mais pobre do país. O “escape” corresponde a cerca de 230 mil residentes (quase metade da população activa) a terem de se deslocar diariamente para a margem norte, criando aí riqueza, mas com muitos custos, económicos, sociais e ambientais.

Como se não bastasse, agora o transporte fluvial de passageiros entre as duas margens que devia ser promovido, e não como o triste caso da Soflusa, em que utentes da margem sul que têm de ir para a margem norte, são prejudicados com salários reduzidos pelos atrasos, ou mesmo despedidos por não conseguirem apanhar o barco para Lisboa. E passageiros do “comboio da ponte” a terem de viajar quase uma hora de pé, de Setúbal-Lisboa. É para isto que serve a “cidade das duas margens”?

Em vez de se querer continuar a projetar mais ligações entre as duas margens, devia-se promover a regeneração do Arco Ribeirinho Sul, ajudada pela prevista conclusão do MST à Costa da Caparica, e a extensão em modo MetroBus/BRT ligando Corroios a Alcochete, passando pelo futuro Aeroporto e pelo Pinhal Novo, e servindo o projeto da “Cidade da Água”. Ou será que só vai acontecer a segunda EXPO, mais uma vez, na margem norte?

Um túnel Algés-Trafaria, resolveria o congestionamento na Ponte 25 de Abril, concluiria o fecho da CRAML-Circular Rodoviária da AML, serve concelhos da margem norte para o aeroporto na margem sul sem ter de entrar em Lisboa, não tem impacto visual, não interfere com a navegação, e é a solução substancialmente mais barata.

O Plano de Acessibilidades de Sesimbra, no TOP2 dos maiores portos de pesca de Portugal e uma instância balnear com significativa procura, apesar de ter sido aprovado desde o PIDDAC-2000, continua sem “ver a luz ao fundo do túnel”. Porquê ?

Para quando a prevista extensão do “comboio da ponte” até ao Campus do Instituto Politécnico de Setúbal?
Porque projetos prioritários na Península de Setúbal não foram considerados no PETI 3+ e continuam a não serem agora no PNI2030, enquanto outros de outras regiões, surgem depois e são logo considerados prioritários (como, por exemplo, as injustificadas expansões dos Metros de Lisboa e Porto)?

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