A mulher de olhos claros sempre

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Valdemar Santos – Militante do PCP

Se 16 anos passam ainda este mês (a 16) sobre a Cimeira das Lages, Durão Barroso, o anfitrião de Busch, Blair e Aznar, só iria esperar pelo 12 de Novembro seguinte para despedir-se do primeiro contingente da GNR que embarcava rumo ao Iraque, orgulhando-o por ter a missão de desbravar terreno aos norte-americanos, a quem na divisão de tarefas cabia descobrir mais profunda e profusamente as armas de destruição massiva, por encontrar (os ingleses e espanhóis poriam bandeiras brancas no Ministério do Petróleo, única forma de o poupar dos bombardeamentos).

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(Também entre parêntesis: que responder a um incrédulo, se o houver, que pelo menos Hitler segue-se – sim ou não na década de 60 os Estados Unidos da América eles próprios trataram de afundar um vaso da sua marinha de guerra fundeado no porto de Saigão para pretextar o início dos ataques a Norte?).

Vem isto de novo a propósito do livro “Clara Zetkin e a luta das mulheres”, impresso em Junho de 2007 para a Editorial Avante!. Nascida em 1857, comunista alemã fundadora do KPD em 1919, internacionalista proponente da consagração do 8 de Março como o Dia Internacional da Mulher, a sua biografia termina na obra citada com a anotação de 1932 como o ano em que os nazis, obtendo a maioria dos votos nas eleições para o Parlamento, são corajosamente confrontados com o seu discurso de abertura (30 de Agosto) na qualidade de deputada mais antiga: “É preciso abater o fascismo!”

A 30 de Janeiro do ano seguinte Hitler é nomeado chanceler do Reich pelo presidente Hindenburg e “a 27 de Fevereiro culpa os comunistas pelo incêndio do Reichstag. Em Março o Parlamento vota a favor de plenos poderes para Hitler. O Partido Comunista da Alemanha entra na clandestinidade. Em Maio são dissolvidos os sindicatos” (a um mês de Clara falecer com 76 anos, depois de “ter sido condecorada em Moscovo com a Ordem de Lenine”).

Então mantemos que a actualidade de Clara Zetkin está no exemplo que deu de quem olhou claramente de perto e em redor e denunciou os poderosos inimigos da paz e dos povos e lhes prometeu combate, enquanto os fascistas, os nazi-fascistas, os imperialistas foram e são os exímios em golpes de espessa penumbra para procurar escapar à derrota que a determinação da luta dos explorados e oprimidos, em todo o mundo, lhes há-de ditar.

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