Carta a Paulo Gomes

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Giovanni Licciardello – Professor

 

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Caro Paulo Gomes

 

Começo por dar-lhe os meus mais sinceros parabéns pela eleição. Em Democracia vencem aqueles que têm mais votos e é assim que deve ser sempre.

 

O facto de se terem perfilado cinco candidaturas, constitui um aspecto muito positivo, sinal indiscutível de vitalidade do nosso Enorme Vitória.

 

Em todas as candidaturas deparei-me com vários tipos de pessoas, desde meus amigos pessoais (António Santana, Eduardo Pereira, José Fidalgo, José Madureira Lopes, Pedro Gaiveo Luzio), passando também por grandes vitorianos, até encontrar indivíduos muito pouco recomendáveis. Na minha opinião, claro.

 

A lista do Paulo Gomes tem todos esses ingredientes, como não podia deixar de ser.

 

Gostaria de iniciar a minha apreciação, com o recém-eleito Presidente da Mesa da Assembleia Geral, Cândido Casimiro e por inerência, com um dos assuntos mais prementes do nosso Vitória: a necessidade imperiosa de revisão dos Estatutos.

 

Tive, por diversas vezes, oportunidade de contactar com Cândido Casimiro. Para além de ser um prestigiado advogado, é também um vitoriano emérito e tem sido o grande impulsionador daquilo que eu entendo ser uma revolução nos estatutos do Vitória Futebol Clube, que se encontram perigosamente desactualizados.

 

Cândido Casimiro foi o arquitecto de uma proposta de estatutos modernos, dinâmicos, formal e funcionalmente operativos, carecendo de aprovação em Assembleia Geral.

 

Se me permite uma sugestão, essa deveria ser uma das primeiras iniciativas a tomar.

 

Relativamente à estabilidade directiva, condição essencial para o sucesso de um qualquer clube, nos últimos 25 anos o Vitória teve seis mandatos incompletos, quatro mandatos completos e quatro comissões de gestão, nunca havendo dois mandatos completos consecutivos.

 

Por outro lado, temos a dívida enorme, que tem vindo sempre a aumentar. Mais o PER.

 

Depois o estádio; antes, o Estádio do Bonfim era uma referência. Hoje está velho, antiquado, sem condições. Necessitamos de um estádio mais pequeno, mas mais moderno e funcional.

 

Em vez disso, temos um estádio que progressivamente nos começa a envergonhar, isto se compararmos com os restantes estádios dos clubes que compõem a 1ª Liga.

 

O que me leva à questão de fundo; o modelo de gestão que se pretende mais eficaz para o Vitória Futebol Clube.

 

Penso que a existência de futuros potenciais investidores, se me afigura ser o único caminho possível.

 

 

Contudo, para haver interesse por parte do mundo empresarial, o Vitória tem de estar estabilizado e aí podem-se abrir oportunidades. Setúbal é uma região naturalmente apetecível, com uma excelente localização, atracção turística e a paixão dos adeptos, no fundo tudo aquilo que interessa aos investidores. Uma potencial força motriz muito forte, que pode e deve ser aproveitada.

 

Se olharmos para a geografia desportiva e se considerarmos os clubes da 1ª Liga que se situam a norte do Rio Douro, ficamos esclarecidos: Porto, Boavista, Braga, Guimarães, Moreirense, Aves, Paços de Ferreira, Rio Ave, Famalicão, Gil Vicente.

Um total de 10 (!!!) clubes. Mais de metade da 1ª Liga, numa área geográfica muito pequena, mas economicamente competitiva.

Se considerarmos quais são os clubes da 1ª Liga que se situam a sul do Rio Tejo, ficamos também esclarecidos: Vitória e Portimonense. Somente dois.

No Alentejo, nem um. Uma tristeza.

Claro que o tipo de opções políticas (e consequentemente as económicas) que se fazem, nomeadamente a nível local, não é coincidência. Sem se entender que o futebol pode ser uma mola impulsionadora, contribuindo também para o desenvolvimento da região.

A prosa já vai longa. Termino desejando-lhe muito sinceramente as maiores felicidades.

O Senhor seu Pai teria seguramente ficado muito orgulhoso com a sua eleição.

As suas vitórias serão as nossas alegrias.

Um grande abraço vitoriano.

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