Uma verdadeira inconsciência

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Mário Moura –
Médico

 

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A reunião de Madrid para debater e tomar decisões sobre os desastres ecológicos que se têm sucedido nos últimos anos e que vieram dar razão a muitos cientistas e observadores das causas e das consequência  desses desastres que por todos os continentes fizeram vítimas e destruições bem evidentes, essa reunião que se revestia portanto dum alto interesse para a generalidade das populações, terminou na demonstração duma verdadeira inconsciência de muitos dos governantes que dirigem os nossos destinos.   Reuniões com esta finalidade veem-se realizando periodicamente , estabelecendo metas para por termo aos usos e costumes que estão na génese destas reações da natureza. Só que entre cada uma dessas reuniões internacionais os progressos na defesa do ambiente têm sido muito discretos apesar dos factos irem sempre demonstrando que os perigos são reais e que o futuro da habitabilidade do planeta  se vai tornando mais ameaçador.   E a par da inconsciência dos governantes também as populações parece que não sentem o perigo como Real, só que nos últimos anos as juventudes em muitos países começaram a perceber que o seu futuro está realmente ameaçado, para eles ou para os seus filhos, e começaram a manifestar o seu descontentamento com a inconsciência dos seus governantes. E nos últimos anos as suas manifestações têm-se tornado maiores e mais pressionantes. Mas porque será que os nossos governantes, ou duvidam dos dados científicos, ou ficam indiferentes ao aumento dos cataclismos e das reações destruidoras  da natureza?   Porque será que até países que são mais responsáveis pela poluição e pelo desgaste da Mãe Terra, em vez de aumentarem as suas preocupações tomam atitudes negacionistas, como , por exemplo, os Estados Unidos da América , sob a batuta dum milionário chamado Trump? E refiro a sua condição de milionário porque na base desta inconsciência coletiva estão problemas económicos, problemas dos adoradores do Deus Mercado, adoradores duma autêntica religião universal que se empenha , seja quais forem as consequências, em obter LUCRO, religião cultivada pelas empresas multinacionais que vorazmente necessitam de variadas matérias primas. Estamos falando das grandes empresas da indústria química, da extração e preparação do petróleo, dos fabricantes de material bélico, e de muitas outras que necessitam de carvão, de pedras preciosas e materiais raros, como o lítio de que agora tanto se fala entre nós, e até de madeireiros e criadores de animais usados na nossa alimentação.   Mal conhecemos, ou desconhecemos mesmo quem dirige tais empresas que delapidam a natureza e imitem gazes em catadupas , gazes com o tal efeito estufa que progressivamente vão aquecendo o ar e o mar, que nalguns países já hoje obrigam os seus habitantes a usar máscaras no seu dia a dia para diminuírem as doenças respiratórias invalidantes.   Com tanta agitação dos jovens, com cada vez mais cientistas (ás centenas!) a publicarem relatórios e abaixo assinados clamando por soluções dado que, no seu critério, o nosso planeta está a começar uma situação de impossibilidade de viragem, com alguns políticos (poucos!) a começarem a fazer barulho nos seus parlamentos, esperava-se muito desta reunião de Madrid, mas o que se obteve de compromissos que ofereçam alguma confiança parece que foi bem pouco, até menos do que em reuniões anteriores (Rio, Copenhague, Paris) apesar de ouvirem acusações plenas de dramatismo de jovens como a menina sueca que, olhos nos olhos, quase rotulou os políticos de assassinos. E apesar do Papa Francisco dedicar a sua primeira encíclica á defesa da nossa Mãe Terra, a única onde podemos habitar – nem a lua, nem marte nos podem salvar. Li algures alguém dizer com propriedade que “não são só as maçãs que estão podres, é o próprio cesto”  . E tudo isto se entrecruza com os problemas que está atravessando a nossa Democracia, até a nossa Liberdade, e a dignidade da pessoa humana. Este “deus mercado” tem muitas cabeças e parece bem difícil de matar , o que ele faz sem qualquer consideração.

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