Recordar é viver – Os carolas

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Custodio Pinto

A carolice é uma espécie em vias de extinção, nos clubes, colectividades, etc., tanto na área desportiva como cultura. É a minha opinião, que é real nos tempos que decorrem. Os homens dedicavam-se de alma e coração para o bem-estar da sociedade

 

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Recordo-me de algumas carolices, entre elas a magnífica construção do estádio do Vitória “Bonfim”, que a população, quase toda ela, ajudou de várias maneiras, bem como fábricas, comércio, SECIL, entre outros. Foram criadas várias comissões com o fim de angariar de fundos. Câmara Municipal de Setúbal, Grémio das conservas de peixe e entidades oficiais, enfim, todos envolveram-se nessa grande luta e o Vitória conseguiu o seu estádio.

Nos baixos das arcadas do estádio são hoje espaços para ginástica e essa maravilhosa obra deve-se à carolice do grupo de ginástica, todos eles vitorianos que, além das aulas de ginástica, trabalharam imenso para a construção dos referidos ginásios. Ainda me recordo de alguns dos nomes dos vitorianos que faziam parte desse grupo: Belmiro, Rui Machado, Francisco Garcia Nunes, já falecidos, e Costa e Joaquim Pereira Rola… e de momento já não me lembro de mais elementos do grupo.

 

O edifício do Clube Naval Setubalense também foi outra obra de carolice dos navalistas, evidentemente com a ajuda da SECIL e outras empresas, Câmara Municipal de Setúbal, etc. Passado algum tempo foi construído o ringue de patinagem que mais tarde é coberto em pavilhão. A piscina levou muito tempo a fazer a caixa, era só areia branca da praia, e nós navalistas conseguimos retirá-la. Este é um exemplo dos navalistas. O mesmo sucedeu com a construção do edifício, ringue de patinagem e pavilhão. A piscina do naval foi transformada em ginásio com um grande movimento de ginastas.

 

Da carolice do antigamente, dos clubes, etc., os elementos das direções iam à noite para as coletividades trabalhar, pois não havia verba para empregados, mas hoje o progresso é totalmente outro, com técnicas que estão a evoluir e a modificar a nossa cidade. Enfim era o espírito naquela época do associativismo, que está em extinção e é pena, mas é uma realidade. Na minha carolice, com os meus 90 anos, ainda ensino a nadar, mas só no Verão e nas praias, que ainda tenho prazer e vitalidade e o faço e continuo a fazê-lo por amor ao próximo, pois a natação foi e é uma das minhas carolices.

 

As pessoas mais idosas ainda se recordam das “carolices” e ao mesmo tempo dão a conhecer aos jovens o que foi no passado essa espécie dos “carolas”. No entanto ainda existem pessoas a praticá-las sem receber contrapartidas do bem que fazem à sociedade e recordar as “carolices” é viver.

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