PENSAR SETÚBAL – Leonor Freitas: Um percurso biográfico (Parte I)

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Giovanni Licciardello – Professor

 

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Hoje vamos dar a conhecer um pouco melhor a figura de Leonor Freitas, proprietária da Casa Ermelinda de Freitas, que muito gentilmente me recebeu nas suas instalações, localizadas em Fernando Pó.

 

Procurei, desde o início, estabelecer uma abordagem que tentasse discernir e valorizar o enquadramento cronológico familiar, matriz original de tudo aquilo que se seguiu, tendo sempre como referências subjacentes, o trabalho, a vinha e o vinho.

 

Uma espécie de fio condutor sequencial, marcadamente familiar.

 

Tudo teve início no século XIX, em Fernando Pó, com os bisavós Manuel João e Deonilde Assunção, que possuíam terrenos por cultivar.

 

Estes tiveram vários filhos, entre os quais o avô Manuel João e a avó Germana, já no século XX.

 

Surgem-nos duas adegas e quatro filhos, um dos quais Manuel João de Freitas, casado com Ermelinda de Freitas.

 

Os pais de Leonor Freitas. Filha única.

 

Leonor Freitas salienta que as propriedades e os terrenos são provenientes do lado dos homens, mas como faleceram todos muito cedo, as mulheres deram continuidade ao legado, à terra.

 

O Pai, Manuel João de Freitas, deu um forte impulso ao desenvolvimento das terras, já com clara intenção vinícola.

 

Homem de grande visão, incentivou Leonor Freitas a estudar. Valorizava particularmente as mulheres e o seu enorme potencial. A sua mulher, Ermelinda de Freitas, foi a primeira mulher da família a possuir carta de condução.

 

Quando iam de férias para Troia, seu Pai incentivava as mulheres a usarem fatos de banho.

 

O Pai não queria que a filha voltasse para o campo. Esta, por sua vez, procurava trabalho nas férias, tais como colónias de férias, fábrica de tomate.

 

Leonor Freitas saiu de Fernando Pó com apenas 10 anos de idade, tendo estudado em lares de religiosas. Fez os seus estudos em Setúbal, e concluiu o curso superior de Segurança Social em Lisboa.

 

Trabalhou na Administração Regional de Saúde de Setúbal, durante vinte anos.

 

Durante esse tempo, a produção de vinho era vendida a granel para outras adegas.

 

Manuel João Freitas, seu Pai, faleceu em 1989, com 59 anos de idade, tendo Leonor Freitas regressado a Fernando Pó, na companhia da sua família, nomeadamente, sua Mãe.

 

Leonor Freitas foi imediatamente confrontada com um dilema; ou continuar com as terras, ou vendê-las.

 

Entendeu que seria uma grande violência vender as terras, relativamente à sua família e ao legado que lhe foi transmitido.

 

Avós, pais e toda a família, transmitiram-lhe, de uma forma particularmente intensa, o amor à terra, à vinha e ao vinho. Por outro lado, os seus Pais fizeram grande esforços para que Leonor Freitas pudesse estudar.

 

E assim decidiu manter a posse das terras. Em boa hora tomou tal decisão, como iremos ver a seguir.

 

Durante dez anos Leonor Freitas manteve dois empregos: A Segurança Social e a produção vinícola.

 

Levantava-se às 5 da manhã e dormia cerca de 3/4 horas por noite.

 

Em 1997, Leonor Freitas continuou a vender o vinho a granel, mas pela primeira vez produziu 5000 garrafas de vinho denominado  “Terras do Pó”, em homenagem a seu Pai.

 

Em 2002, as empresas vinícolas que absorviam a produção a  granel, informaram que não pretendiam adquirir mais o seu vinho.

 

Segundo Leonor Freitas, este foi um momento-chave, determinante para o futuro da empresa.

 

Segundo as suas próprias palavras, foi um susto que se transformou em oportunidade.

 

Continuamos para a semana.

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