Inovação

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Carlos A. Cupeto -Escola de Ciências e Tecnologia
Universidade de Évora8

 

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Há alguns anos que a palavra inovar entrou na conversa do politicamente correto.

Uma moda que, como todas as modas, só serve para gastar o dinheiro que não temos. A mais ridícula de todas as inovações é a bicicleta de madeira. Entretanto abundam os planos e estudos, sectoriais, regionais e locais, de inovação. Até parece mal que uma câmara municipal ou uma região não tenha um plano de inovação. Qual foi o efeito positivo desses trabalhos, feitos pelos melhores consultores da nossa praça? Como é habitual nesta nossa terra, gasta-se o dinheiro, nada acontece, e ficamos todos amigos como até então, embora mais pobres. Valha-nos a generalizada convicção de que a responsabilidade desta triste realidade nunca é nossa, há sempre alguém para quem olhar. Inovação não pode ser uma palavra vã, antes, terá que ser uma atitude fundamental e necessária à mudança. A inovação não se escreve nem se anuncia, pratica-se. Implementa-se todos os dias, nem que seja nas mais pequenas coisas. No seu sentido mais puro e objetivo, inovar, são ideias que criam riqueza. Vivemos numa sociedade global mas onde os recursos e os meios continuam a ser locais, sendo nesta dimensão que podemos e devemos atuar. É no local onde vivemos, onde trabalhamos, que podemos, ou melhor, temos que atuar em prol da mudança. Se recusamos a nossa parte alguém vai tomar decisões por nós, e, como se constata, o resultado não tem sido bom. Cada vez mais somos todos responsáveis. As pessoas, nesta perspetiva, têm que ser consideradas como parceiros atuantes, atores que influenciam a decisão e decidem, e como tal se devem assumir na configuração do seu destino, não apenas como destinatários passivos dos hábeis programas de desenvolvimento com resultados muito duvidosos que todos conhecemos e sentimos.

A cadeia de valor, no seu mais lato sentido, tem que estar presente em todos os nossos recursos. O objetivo é tirar o máximo partido do que temos e respondereficazmente ao mercado. Existem, felizmente, alguns bons exemplos à nossa volta, basta olhar e ver como se faz. De facto, a inovação existe, o desafio é generalizá-la.

Temos automóveis, imóveis, computadores etc. a mais e pessoas competentes a menos, os melhores fartaram-se e foram-se embora. Onde estão os decisores competentes? Podemos confiar nos que decidiram até hoje?

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