Calafate: Uma profissão em extinção

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Custodio Pinto

Que eu saiba, em Setúbal, já não existe nenhum calafate. No entanto, um ex-aluno da escola primária Conde Ferreira, João Luís Lopes Santos “João Lopes”, foi calafate. Já reformado, mas ainda é chamado para efetuar trabalhos da sua antiga profissão, principalmente em Sesimbra, Algés e Nazaré e já não chega para as encomendas.

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Ainda bem que alguém se lembrou da profissão de calafate, de que, no dia 14 de Setembro de 2019, na galeria do Quartel do 11, foi inaugurada uma admirável exposição. Com muito êxito, com os meus parabéns para a cultura da Camara, da LASA (Liga dos amigos de Setúbal e Azeitão) e do presidente da LASA, engenheiro Borba.

António Maria Eusébio, ‘O Calafate’, foi calafate de profissão, um analfabeto, mas um grande poeta popular e setubalense, que foi considerado um dos maiores poetas portugueses. Nascido em Setúbal no dia 15 de Dezembro de 1819, que tem sido recordado igualmente no seu bicentenário, com um aliciante programa organizado pela cultura da Camara Municipal.

Recordando o extinto estaleiro, que hoje está transformado numa pequena e encantadora praia, onde foram construídos e reparados muitos barcos e que eram calafetados por esses grandes profissionais conhecidos, os calafates, entre os quais estava o afamado poeta popular.

E a ainda falando do saudoso estaleiro, que recordo da minha infância, sobretudo dos belíssimos banhos nesse local, íamos com o meu pai durante a tarde tomar banho. Ainda me lembro de magoar os pés nos pregos e a carqueja e de todo o material utilizado nos barcos. Mesmo com todas estas dificuldades e problemas, aprendíamos a nadar no célebre estaleiro, hoje transformado na belíssima Praia da Saúde.

Felizmente que ainda existe em Setúbal um calafate, o João Lopes. A exposição patente na Galeria do Quartel do 11 foi digna de ser visitada.

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