PENSAR SETÚBAL: Nuno Gil: Um doceiro prestigiado

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Giovanni Licciardello – Professor

 

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Hoje vamos falar de Nuno Gil, doceiro da nossa região, que teve a amabilidade de receber-me, no mês de Julho.

Nuno Gil nasceu em Setúbal, a 6 de Junho de 1969. Estudou na Escola Secundária Sebastião da Gama, concluindo o 12º ano de escolaridade.

Em 1992, iniciou a sua actividade profissional no serviço de bar, num conhecido café/restaurante, em Palmela, área que lhe era completamente desconhecida.

Em 1993, concluiu curso de barman na Associação de Barman de Portugal.

Em 1994, sentiu necessidade de ir mais além na área dos doces, tendo frequentado o Curso de Hotelaria, de mesa, bar, cozinha e pastelaria.

Com o tempo, percepcionou que a área dos doces era, de facto, a sua área vocacional, iniciando a confeccão de todos os doces para consumo exclusivo interno, bem como doces de sua autoria, afastando-se progressivamente dos doces tradicionais.

Em 1996, decorreu um Curso de Cozinha e Pastelaria ministrado pelo famoso Chefe Silva, tendo Nuno Gil participado. A partir daí, direccionou a sua actividade de doçaria, para os doces regionais.

Em 2001, decorreu um Concurso Nacional de Gastronomia, tendo o café/restaurante onde trabalhava, participado na área dos doces e vencido, com o Bolo Conventual da Ordem de Santiago.

Ao longo destes anos, foi-se estabelecendo uma relação de amizade entre Nuno Gil e o Chefe Silva, tendo este aconselhado a confeccionar bolos em formato mais pequeno, mais concretamente em forma de pastel, direccionando para outro segmento de mercado.

Após algum tempo de reflexão, Nuno Gil concordou com a sugestão do Chefe Silva.

Em boa hora o fez, dando início à sua actividade profissional individual.

Começou a comercializar o Pastel de Santiago em Palmela e, mais tarde, também em Setúbal.

Seguiu-se o Pastel de Moscatel e o Pastel de Laranja de Setúbal.

De seguida, Nuno Gil elaborou uma queijada feita com queijo e requeijão, denominada Queijada do Anjo. Posteriormente surgiu o Pastel Caramelo, de feijão, em homenagem às pessoas que para aqui vieram trabalhar, provenientes das Beiras, para trabalhos sazonais, muitos acabando por ficar, mais concretamente na região compreendida entre o Pinhal Novo e Rio Frio.

Em 2011, a Câmara Municipal de Setúbal organizou um concurso, cujo objectivo era criar um doce típico de Setúbal. Nuno Gil concorreu a esse concurso, tendo vencido com o Doce S. Filipe.

O nome foi escolhido para salientar a importância do rei de Portugal e Espanha, na construção do Castelo de S. Filipe. Tem forma rectangular, em homenagem à indústria conserveira e utiliza o Brazão da Cidade de Setúbal. No interior da caixa encontra-se o bolo, encimado com a poesia de Sebastião da Gama “Pelo Sonho é Que Vamos”. É um bolo cujos ingredientes são: mel, amêndoa, laranja e moscatel, todos produzidos na nossa região de Setúbal.

 

Seguiu-se o Pastel de Ginja. No início do século XX, os galegos residentes em Lisboa, deslocavam-se aqui para adquirir o fruto da ginja, para a obtenção do licor. Nuno Gil entendeu que devia aproveitar as potencialidades deste produto.

Em 2018, a Câmara Municipal de Setúbal organizou uma mostra na Casa da Baia, com doces, feitos a partir de pescado. Nuno Gil confeccionou o Pastel de Choco de Setúbal, feito com batata doce da Comporta e amêndoa, com a tinta do choco a recobrir a massa tenra.

Confecciona também arroz doce feito com leite de ovelha da Quinta do Anjo, os Bombons de Moscatel e os Bombons de Aguardente.

Nuno Gil é proprietário da Confeitaria S. Julião, em Palmela.

Nuno Gil não só é um doceiro prestigiado, como é um magnífico exemplo da optimização da riqueza e variedade de produtos endógenos de grande qualidade, desta nossa Região dos Três Castelos.

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