A natureza não perdoa nunca!

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Mário Moura –
Médico

Impossível escapar ao assunto do dia : as ameaças da sobrevivência da habitabilidade no nosso planeta! A agitação dos jovens por todo o mundo em manifestações de milhares nas cidades dos quatro cantos do mundo, temendo pelo seu futuro.
As afirmações dos cientistas feitas desde há muito tempo começam agora a ter ressonância e aceitação em todos os continentes, os programas dos partidos políticos começam igualmente a ter em consideração os problemas ecológicos (com que sinceridade não sabemos!), mas entram na onda das preocupações do momento, a ONU convoca uma reunião específica para tratar e debater o problema grave a que a maioria dos governos têm passado ao lado dominados pelo sistema organizacional em que vivemos há uns dois seculos.
Já se fizeram conferência anteriormente onde se fizeram promessas e se estabeleceram metas que não deviam ser ultrapassadas para a emissão de gazes de efeito estufa, mas o grande objetivo dos governos dominados pelos donos do dinheiro e dos povos em geral dominados por um principio e um anseio de crescimento material , dificultavam qualquer aplicação de normas exigentes para alterarem os seus desígnios.
Mas indiferente a tudo isto, indiferente a promessas, metas e ações de protesto, a natureza vai fazendo o seu nefasto caminho provocado pelos homens. Reduzir o numero de aviões no espaço em cada dia? Impossível com a ânsia dos transportes quanto mais rápidos melhor, reduzir o consumo de carvão e de petróleo? Impossível pois são necessários para a constante necessidade de produzir sempre mais nesta ânsia de consumo.
O consumo de matérias produzidas pela mãe natureza, sem rei nem roque, sempre com mais intensidade sem olhar a consequências, e impulsionadas pelo “deus mercado”, continua num crescendo, por todo o mundo que não abdica do aumento das suas fontes de energia. Os grandes potentados mundiais da indústria química, da indústria de automóveis, das muitas indústrias de tecnologia avançada, são surdas aos apelos dos cientistas e – agora – dos jovens que começam a ver o seu futuro comprometido.
Mas a realidade vai-se impondo com o aumento progressivo da temperatura média do globo, com o degelo acelerado das calotes polares, e – especialmente – com o aumento irrefutável das tempestades, dos furacões, das inundações, dos tremores de terra, da atividade vulcânica, etc. , irrefutável perante o aspeto das Baamas arrasadas, de tantas povoações transformadas em monte de cascalho, com a perca de milhares de vidas, especialmente das gentes mais pobres nesses grandes “arrufos” da natureza.
Diz o ditado que” Deus perdoa sempre, os homens perdoam às vezes, mas a natureza não perdoa nunca”. Ah! Isso é com os outros lá longe, dirão os portugueses, mas é um fato que o clima perdeu a sua regularidade das estações, o calor atinge níveis nunca sentidos, que se aproxima dos Açores um furacão que nunca aparece nesta época do ano com tal intensidade, no Algarve ou na Costa da Caparica se luta para preservar as praias que o mar leva e as falésias que se desmoronam. E tenhamos em atenção que a ONU confirma o pior cenário para o nosso País com a subida do mar – lá se vai uma das “galinhas dos ovos de ouro”, o Algarve, lá vamos tendo climas de norte de Africa e doenças próprias do Equador!
Para alem dos protestos veementes dos jovens nas ruas, para alem dos programas dos partidos, para alem do alarme da ONU, para alem do abalo que sentiu quem ouviu o discurso da jovem sueca na reunião do clima em Nova Yorque, é necessário que cada um de nós se instrua e comece mudando o seu estilo de vida e os seus objetivos de vida.
A mudança tem de ser na educação, no comportamento individual, na mudança radical do nosso sistema socio-político.
O Papa Francisco não se cala pedindo aos homens em geral que a mudança começa em cada um de nós. Ou o Mundo poderá tornar-se realmente inabitável no espaço dumas escassas décadas!

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