A (des)união europeia?

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Mário Moura –
Médico

Dentro de cerca de quinze dias teremos eleições para deputados europeus, para em teoria defenderem no Parlamento Europeu  que as decisões tomadas na União sejam favoráveis à ideia que presidiu à sua formação, sem que sejam prejudiciais ao nosso país.   Alem disso a legislação que desde a criação da União  foi sendo publicada tem sempre repercussão nos países aderentes sendo algumas delas que ser transpostas para as legislações nacionais. E têm sido progressivamente criados mecanismos de controle da União sobre os problemas organizacionais dos países membros – muita coisa nacional tem de obedecer, em princípio, à essas normas europeias.

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A União foi criada debaixo do peso terrível de duas grandes guerras que mataram milhões na Europa e fizeram destruições tremendas, arrasando economias e acentuando diferenças entre os vários países. A União , no espírito sonhador dos grandes políticos que então a criaram, estavam dois sonhos: acabar com a possibilidade de novas guerras e fazer um esforço de atenuar as tais diferenças que existiam entre as várias nações aderentes. Para isso se criaram o Parlamento Europeu com deputados de todos os países, na proporção das suas populações,  um governo (a Comissão) com verdadeiros ministros e até um presidente.  Para atenuar as tais diferenças entre países a União dispõe de verbas vultuosas para os países menos desenvolvidos. Portugal tem sido um dos países mais beneficiado destes milhões há muitos anos. Para estradas, para as pescas, para a agricultura, etc.  Por tudo isto não podemos ser indiferentes a estas eleições, lembrando-nos que a maioria da nossa população não tem os necessários e mínimos conhecimentos desta importância das próximas eleições , Verificamos que os debates e os discursos dos candidatos não são suficientemente esclarecedores e pedagógicos. Os candidatos a deputados perdem-se em debates inquinados pelas concorrências partidárias e em problemas até sem qualquer interesse da nossa política caseira. O seu pensamento está mais nas próximas eleições para o nosso Parlamento do que para o Europeu.   E verificamos que nos países aderentes à União Europeia as políticas têm escorregado para extremismos perigosos pois nos fazem lembrar as políticas que levaram à décadas atrás aos fascismos , aos nacionalismos exacerbados, ao aumento do que se chama de eurocéticos. Conclui-se com facilidade, no meu ponto de vista, de que as diferenças de políticas nalguns países até são o oposto dos princípios mais importantes da União, como sejam a livre circulação de pessoas e  mercadorias, a abolição de fronteiras, até ao controle de algumas decisões políticas especialmente na economia – a União presentemente dá uma imagem de desunião. É à juventude que compete colaborar na construção do seu futuro e criar um sentido de cidadãos europeus, jovens que não sabem bem o que é a Democracia e o que foi o horror das tais grandes guerras do passado  Para isso tem contribuído o Programa Erasmus com a troca de milhares de estudantes todos os anos para estudarem em universidades doutros países que não o seu, e a concessão fácil de passes para o “inter raill” que permite que qualquer jovem depois dos 18 anos possa calcorrear a Europa, de comboio, sem pagar bilhetes e tomando contato com as culturas, os hábitos e a história dos outros países.   As Liberdades da União Europeia devem ser sentidas por todos e apoiadas, não tolerando essas correntes que na última década têm feito aproximar-se do poder partidos que “cheiram” a ditaduras e a fascismo. No próprio Parlamento Europeu , qual “cavalo de Troia”, temos a possibilidade quase certa de ter parlamentares com esse “cheiro”. Por isso é necessário que nos informemos e votemos nas próximas eleições tendo sempre em vista, alem dos benefícios da união dos povos, das vantagens dos apoios financeiros para o nosso desenvolvimento, um verdadeiro “olho vivo” em relação aos tais eurocéticos, populistas, fascistas, etc. etc.  Não à abstenção!

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