A Fobia da diferença e a ilusão da igualdade

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PJ VULTER – Escritor do Montijo. Publicou «Marta»,pela Coolbooks, em 2017. E publica regularmente no seu blog https://pjvulter.wixsite.com/pjvulter/blog.

Aqui há muitos anos, uma marca de roupa conhecida que dava pelo nome Benetton – e dá -, fez uma campanha de marketing arrojada. O tema da ação era o combate ao racismo e xenofobia e o Gingle era «Todos diferentes todos iguais»; estou certo de que aqueles que são da minha idade, e mais velhos, se lembrarão disto…

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A taxa de penetração que esta campanha publicitária teve no mercado foi muito para além daquilo que os seus criadores conceberam; vender mais roupa. A mensagem que passava ia também muito para além do racismo, porque celebrava a diferença; todas as diferenças. E, de repente, ser diferente já não era tão negativo assim…

Perdoem-me o simplismo, mas para mim aquele momento marcou o inicio de um movimento social que redundou numa das maiores ilusões da humanidade: a ideia que todos somos iguais e, por consequência, todos temos as mesmas capacidades e podemos ser o que quisermos.

A ideia de «Todos diferentes; todos iguais» referia-se à igualdade de direitos e a nada mais. Mas a sociedade, nas suas pessoas, apropriou-se da mensagem e levou-a à letra, transformando-a nesta ilusão que, hoje, gera tantos frustrados como na época gerou entusiastas.

Gostaria de lembrar a todos que todos somos diferentes; podemos ser mais parecidos ou menos, mas nunca somos iguais a ninguém. Por isso, deixem que querer, de exigir, essa igualdade ilusória, porque essa igualdade não é algo que vos possa ser dado ou que possam conquistar por vocês próprios.

Quanto aos direitos, a conversa é diferente. Os direitos devem ser iguais para todos; todos deverão poder ser livres de escolher o caminho que querem. Mas é aqui que «porca torce o rabo» e é aqui que se apanha a perversidade da mensagem ilusória…

Perguntarão:

“Então, se tenho o direito de escolher o meu caminho, porque é que não posso ir por onde quiser?”

Mas pode. Todos podemos ir por onde bem quisermos e entendermos. Mas nem todos os caminhos nos conduzirão à felicidade. Eu acho que a pergunta que queria – mesmo – fazer era outra; era esta:

“Então, se tenho o direito de escolher o meu caminho, porque é que não posso ir por onde quiser e ser feliz?”

O ser feliz é algo muito subjectivo. Quando alguém diz que é feliz – raríssimo, diga-se de passagem – refere-se a um conjunto de circunstâncias que o satisfazem. E estas são – naturalmente – diferentes das de outra pessoa… Por isso, pergunto: se ser feliz difere de pessoa para pessoa, como poderia o caminho ser o mesmo?

Não pode. O caminho de cada um nós leva-nos a sítios diferentes e aprendizados diferentes – àqueles sintonizados com a nossa missão na Terra; e é por isso que temos de escolher bem o nosso caminho. E sabendo – logo à partida – que ele terá de responder àquilo que o nosso coração/intuição – alma – nos diz, o caminho terá necessariamente de ser diferente do de qualquer outra pessoa.

E, sendo assim, tal como acontece com cada um de nós – como disse no início –, os caminhos poderão ser semelhantes, parecidos, e até poderão haver troços comuns, mas no seu global serão dramaticamente diferentes. E serão-no, não só porque nos levarão a destinos diferentes, mas porque no processo nos transmutarão naquilo que viemos ao mundo para ser.

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