PENSAR SETÚBAL: Criminalidade e Insegurança

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Giovanni Licciardello – Professor

A multiculturalidade, entendida em termos conceptuais é claramente algo que todos nós desejamos. Pessoas de várias raças, proveniências e credos religiosos distintos, a conviverem harmoniosamente.

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A Europa tem sido o berço da Democracia, da tolerância, do respeito, de um bem-estar que todos ambicionamos.

 

Contudo, os grandes centros urbanos e as cinturas urbanas adjacentes, geram inevitavelmente uma excessiva concentração de pessoas, onde a qualidade de vida, muitas vezes deixa muito a desejar.

 

O Bairro da Jamaica no Seixal é um desses casos extremos. Casas inacabadas, sem quaisquer condições de salubridade, nem dignidade, que geram o aparecimento de situações de ruptura social e onde a criminalidade prolifera.

 

Portanto, não é uma questão de racismo, nem de geografia. É uma questão política.

 

No nosso Bairro da Bela Vista, alguns aproveitaram-se dos acontecimentos ocorridos no Bairro da Jamaica, para atirarem Cocktails Molotov à respectiva esquadra da polícia. Nos dias seguintes, queimaram uma dezena de contentores de lixo, o quadro eléctrico das instalações do Grupo Desportivo Os Amarelos e um autocarro, perto do referido bairro.

 

Naturalmente não misturamos o todo com a parte. Uma coisa é a esmagadora maioria dos habitantes do bairro, gente discreta e trabalhadora; outra, completamente diferente, são os criminosos que perpetram estes actos violentos e reprováveis.

 

O Bairro da Bela Vista, é, apesar de tudo, bem melhor que o Bairro da Jamaica. A Câmara Municipal de Setúbal tem disponibilizado vários recursos, procurando criar condições dignas para as populações que aí vivem.

 

Contudo, existe algo que não se pode tolerar. A criminalidade.

 

Não existe enquadramento algum que justifique a violência gratuita, nem a falta de respeito pelos agentes da autoridade, como fez aquele infeliz assessor do Bloco de Esquerda, que apelidou a polícia de “bosta de bófia”.

 

São comentários estúpidos, inconsequentes, incendiários, insultuosos e sobretudo perigosos.

 

Por outro lado, alguma Comunicação Social encara este problema de uma forma leviana, sem muitas vezes procurar ir ao cerne da questão.

 

No crime, como em tudo na Vida, os fenómenos começam por ser difíceis de identificar a fáceis de tratar; tornam-se mais tarde fáceis de identificar e difíceis de tratar.

 

Assim sendo, tudo passa pelo estabelecimento, a montante, de metodologias preventivas.

 

O Estado tem de ser forte para não ser violento.

 

Para isso temos que alterar as mentalidades, devolvendo a força (legal, moral e material) a quem tem de exercer a autoridade.

 

Todos eles devem ter uma capacidade operativa que lhes permita agir de uma forma eficaz e célere na prevenção do crime.

 

Uma farda deve ser sempre encarada com respeito. Temos de saber compreender e respeitar quem representa e exerce a autoridade.

 

Temos de dotá-los de meios eficazes na prevenção do crime.

 

Nas escolas, temos de saber transmitir atitudes e valores, que propiciem às crianças de hoje, poderem ser cidadãos conscientes e responsáveis.

 

A Democracia, tal como está, permite, infelizmente, o aumento da criminalidade.

 

Mas não se pense que o problema é da Democracia, mas do mau uso que se lhe dá.

 

Como dizia Winston Churchill “a Democracia é o pior dos regimes, exceptuando todos os outros.”

 

Nas sociedades democráticas não há nada pior, em termos da segurança do cidadão comum, do que criminalidade impune.

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