Centro de Recolha Oficial traz esperança para fim de abandono animal em Sines

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Associação 4 Patas e outros amigos dos animais mostram satisfação com nova unidade, mas dizem que é preciso fazer ainda mais

 

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A construção do Centro de Recolha Oficial Animal de Sines (CRO) “não vai terminar com as matilhas [mas], vai resolver alguns casos de abandono e será muito importante para as esterilizações e castrações se a Câmara assim o entender”, declarou a O SETUBALENSE Alexandra Bento, presidente da associação 4 Patas – Associação Abrigo dos Animais de Sines, que surgiu em 2015.

Esta associação sem fins lucrativos visa, entre outros objetivos, apoiar os animais errantes, através, por exemplo, de sensibilização “junto das crianças, nas escolas, apelando para os critérios de maus-tratos a animais, abandono, adoção e cuidados a ter com animais domésticos” e monitorizar e alimentar colónias de gatos. Conta com um corpo de quatro voluntários internos e outros quatro externos

Alexandra Bento considera que a construção do CRO é um passo relevante “para recolha de animais abandonados e ninhadas de matilha” bem como para “tratamento de animais”.

Na opinião da presidente da associação, “a construção do canil é urgente para resolver alguns casos”, porém, continua, “não resolve o problema dos animais de rua”.

A associação gostava de ter instalações próprias mais adequadas, de forma a ajudar ainda mais animais, mas tal não foi ainda possível. “Estamos há quatro anos a tentar que nos cedam um terreno. Só temos a sede cedida pela Junta de Freguesia [na qual] temos uma sala em que colocamos gatos após recolha, doentes e feridos, que após tratamento nas clínicas vão para lá”. Posteriormente são “colocados para adopção, e neste momento temos 30”, explicou Alexandra Bento.

Para a construção do CRO, foram feitas “algumas reuniões” e “fez-se um abaixo assinado”, pelo que a população teve um papel importante no avanço deste projeto. Alexandra bento relembra que este “também era um ponto da campanha” do Partido Socialista, pelo qual foi eleito o autarca Nuno Mascarenhas, para a Câmara Municipal de Sines. De modo a resolver os problemas com as matilhas, a 4 Patas está “a lutar para que seja feito um espaço de matilha, à semelhança de outras cidades”.

Ana Rodrigues, jovem activista sineense, partilha da mesma opinião. Embora o CRO possa ajudar na erradicação das matilhas, Ana Rodrigues teme que não vão erradicar o problema. “Para acabar com as matilhas, penso que a solução adotada por Matosinhos, de criar parques na rua, é a melhor. Há uns anos a Câmara disse que fazer isto seria impossível por alguma razão apontada na lei. (…) Pode ser que agora, como Matosinhos mostrou ser possível, e já tem os parques em construção, a Câmara de Sines veja que afinal dá para fazer”. Apesar de considerar o CRO “fundamental”, tal como Alexandra Bento, acredita que o mesmo “nem vai ter espaço para os animais abandonados e todos aqueles que são retirados às famílias, por falta de condições ou que têm de ir para o CRO porque a família morre.” E destaca: “O CRO vai ser relativamente pequeno para as necessidades.”

Promotora de uma manifestação em Sines, Ana Rodrigues afirmou que só na cidade, excluindo Porto Covo e a estrada para a localidade, “há cerca de duas centenas” de animais abandonados. Estes “continuam a nascer. O número só não aumenta muito mais porque uns morrem, e algumas ninhadas vão sendo retiradas pela associação 4 Patas”, contou ao jornal.

“A ideia [da manifestação] surgiu depois de ver um vídeo da matilha da Administração do Porto de Sines (APS). Era uma família enorme, com muitos cachorros, todos deitados no meio da estrada”, disse. “Publiquei [o vídeo] e teve muitos milhares de visualizações e interações. Nessa altura informei-me sobre a situação com a associação 4 Patas e fiquei a saber da quantidade de animais que por aí havia naquelas condições”, continuou.

A manifestação realizou-se no dia 18 de junho, do ano passado e contou com cerca de 50 pessoas. “Andámos pela cidade e tivemos muito apoio de toda a gente, apesar de não terem aderido à manifestação.”  O pedido de construção do CRO “com a manifestação foi muito claro”, refere Ana Rodrigues, explicando que a reivindicação era antiga. “Ter feito esta manifestação, sendo que não havia sido feita em Sines em 40 anos, teve muito impacto”, destacou a jovem activista. “Penso que toda a pressão popular faz a diferença.”

Nadine Setero, participante da manifestação realizada em 2018, não esquece os casos de atropelamentos de animais, e o medo da população em geral. “Grande parte destas matilhas estão perto de estradas ou locais com movimento, que comprometem muito a segurança destes animais pois existem muitos casos de atropelamento. Outro aspeto a realçar é que muitas pessoas deixaram de fazer as suas caminhadas, perto destas zonas, com receio de um ataque ou por levarem o seu animal de estimação, e correrem o risco de o mesmo ser atacado”, esclareceu a jovem de Sines, ao SETUBALENSE. “A construção deste centro só trará vantagens para a cidade e para a saúde pública”, afirmou.

A edificação do tão desejado Centro de Recolha Oficial Animal, promovida pela Câmara de Sines, teve início na semana passada, na zona norte da cidade, num investimento de cerca de 190 mil euros, e deve estar concluído no início de 2020.

Em junho deste ano, Nuno Mascarenhas disse à Lusa que este avanço iria dar resposta aos problemas com os animais, que tem havido na cidade, sendo que esta é uma “necessidade urgente”, já que, matilhas de cães e colónias de gatos são um problema presente e permanente na cidade de Sines, do qual muito se queixam os seus habitantes.

 

Por: Marta Raimundo

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