Teatro O Bando e Setúbal Voz estreiam ‘Purgatório’ com sala cheia

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Coprodução estreou no Fórum Municipal Luísa Todi. (Fotografia: DR)

Plateia da sala de espectáculos setubalense praticamente esgotou na estreia de “Purgatório”, uma co-produção entre o Teatro O Bando e o Coro Setúbal Voz que no final do ano chegará ao Teatro D. Maria II, em Lisboa

 

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Por André Rosa

 O Teatro O Bando e o Coro Setúbal Voz estrearam em conjunto a peça “Purgatório” – uma das estações da “Divina Comédia” de Dante Alighieri –, quinta-feira à noite, no Fórum Municipal Luísa Todi, e o balanço feito não podia ser mais positivo, nas palavras de João Brites, encenador da peça, e de Jorge Salgueiro, director artístico do Coro Setúbal Voz.

“O balanço é óptimo, o [Fórum Municipal] Luísa Todi acolheu-nos muito bem”, começou por dizer João Brites, do Teatro o Bando, a O SETUBALENSE. À saída da sala também o maestro Jorge Salgueiro expressou a sua satisfação com uma estreia que “correu muito bem” para os 44 coralistas que subiram ao palco, ao lado dos actores Fernando Luís, Nélson Monforte, Rita Brito e Sara Belo.

“Purgatório” corresponde à segunda estação da obra “A Divina Comédia”, escrita pelo italiano Dante Alighieri no século XIV, e sucede à produção “O Inferno” (a primeira estação da obra de Dante) feita pela companhia de Palmela há dois anos. A peça fala de “uma espécie de tensão entre o homem solitário que é o Dante e a multidão, as massas, as maiorias”, explicou o encenador.

“Tivemos a sorte de encontrar uma versão traduzida pela Sophia de Mello Breyner Andersen que nos permitiu ter acesso ao texto original com uma compreensão muito maior. Dante é muito mais universal do que se pensa, porque tem muitas citações datadas, e quando limpamos essas citações datadas percebemos que é um texto totalmente actual”, disse João Brites.

Quatro atores e 44 coralistas dão forma à peça. (Fotografias: DR)

O espectáculo, cuja dramaturgia é assinada por Miguel Jesus, está dividido em nove partes e aborda temas como o dinheiro, a religião, o ciúme e o orgulho, referindo-se também a questões contemporâneas como a política e o uso das tecnologias, naquilo que pode ser entendido como uma crítica “aos impulsos das maiorias”, notou ainda o encenador.

A massa de gente por entre a qual se move Dante é interpretada em palco por 44 coralistas, também encenados por João Brites e conduzidos por Jorge Salgueiro. “Dante refere a presença de coros com músicas em concreto, da época dele – cânticos religiosos a partir do latim. Peguei na primeira frase de cada um dos cânticos que ele enumera e foi a partir daí que fiz estes cânticos”, explicou o responsável pela música e direcção musical.

O desafio colocado aos coralistas – cantar e representar ao mesmo tempo de uma maneira totalmente diferente do que haviam feito até aqui nos espectáculos do Coro Setúbal Voz – contou com a ajuda de Juliana Pinho, responsável pela coralidade. Para o maestro, a experiência “vai ficar para sempre na bagagem técnica do coro e terá influência em todos os espectáculos” futuros, sublinhou.

A peça, co-produzida pelo Teatro O Bando e pelo Coro Setúbal Voz com o apoio da  Câmara Municipal de Setúbal e do Teatro Nacional D. Maria II, conta também com dois guitarristas do coro setubalense e com Clara Bento nos figurinos e adereços e Miguel Lima no desenho de luz. Depois das quatro sessões levadas à cena entre quinta-feira e domingo, “Purgatório” segue para aquela sala de Lisboa entre os dias 14 e 24 de Novembro.

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